Itaú avalia impacto dos marketplaces no varejo farmacêutico
Mercado de GLP-1 concentra interesse de plataformas digitais
por Gabriel Noronha em e atualizado em
Um estudo produzido pela equipe de analistas do Itaú BBA Smart examinou os efeitos do crescimento da atuação de marketplaces como o Mercado Livre e o iFood no varejo farmacêutico.
De acordo com o banco, essas plataformas digitais vêm ampliando rapidamente sua presença no país. No caso do iFood, a categoria de farmácias registrou crescimento anual composto (CAGR) de aproximadamente 70% nos últimos dois anos.
Para efeitos de comparação, a operação do aplicativo de delivery já representa cerca de 25% do tamanho digital da RD Saúde, ou 40% se desconsiderado o mercado de medicamentos GLP-1.
Canetas emagrecedoras são o maior atrativo para os marketplaces
Esse segmento é, inclusive, o principal foco dessas plataformas. Recentemente, o Panorama Farmacêutico noticiou o acordo entre a Novo Nordisk e o Mercado Livre para a venda do Ozempic no México.
A iniciativa reforçou a credibilidade do Mercado Livre como canal para comercialização de medicamentos e elevou a percepção de que a plataforma pode se tornar um concorrente relevante para o varejo farmacêutico no médio prazo. O anúncio chegou, inclusive, a impactar as ações das varejistas brasileiras.
Na avaliação do JPMorgan, no entanto, a reação do mercado foi desproporcional. O banco destaca que o ambiente regulatório brasileiro impõe restrições relevantes à venda remota de medicamentos, o que limita a replicação do modelo observado no mercado mexicano.
No Brasil, o Mercado Livre iniciou sua atuação no canal farma com medicamentos isentos de prescrição (MIPs). Ainda assim, o mercado de GLP-1 é considerado muito mais atrativo por reunir tíquete médio elevado, demanda recorrente e maior potencial de relacionamento com o paciente.
“O piloto servirá como teste do serviço, que deve evoluir para um modelo mais amplo futuramente. A ideia da plataforma é abrir as portas para farmácias de diferentes portes venderem seus produtos”, afirmou Tulio Landin, diretor sênior de marketplace do Mercado Livre no Brasil, quando a companhia iniciou suas operações no país.
Dados comprovam destaque do segmento
O relatório do Itaú BBA ainda compilou os principais índices que tornam o mercado tão atrativo para os marketplaces. De acordo com projeções do banco, o mercado de GLP-1 no Brasil deve atingir a marca de R$ 61 bilhões até 2030, com o canal formal rastreado representando R$ 35 bilhões (57% do total).
Dados da Pague Menos também mostram que pacientes em tratamento com GLP-1 geram receita média nove vezes maior por cliente e visitam as lojas com frequência 50% superior.