Exclusivo: Suplementos já movimentam R$ 1 bi nas farmácias
Categoria acelera quase 30% em um ano e mobiliza indústria, distribuição e grandes redes
por Leandro Luize em
Diante da busca crescente por prevenção e autocuidado, os suplementos esportivos deixaram de ocupar um espaço complementar nas gôndolas para se tornarem um dos principais vetores de crescimento das farmácias. E os números revelam que a categoria superou uma marca emblemática.
Segundo a Close-Up International, o segmento alcançou pela primeira vez cifras superiores a R$ 1 bilhão. O faturamento de R$ 1,08 bilhão nos últimos 12 meses até maio deste ano representou uma evolução de 29,9% sobre o mesmo período anterior.
A creatina tornou-se o principal motor desse avanço, respondendo por 43% das vendas. Na sequência aparecem proteínas, barrinhas proteicas, pré-treinos e termogênicos. “Desde o período pós-pandemia, praticamente todos os subsegmentos registram crescimento consistente, evidenciando que o consumo de suplementos deixou de estar restrito ao público esportista para alcançar consumidores interessados em qualidade de vida, envelhecimento saudável e prevenção”, contextualiza Filipe Campos, líder de Market Insights da consultoria.
O resultado também se estende à capilaridade. Hoje, aproximadamente 37,5 mil farmácias comercializam suplementos esportivos, número 13,2% superior ao registrado há dois anos. Mas o crescimento não decorre apenas da abertura de novos pontos de venda.
“O volume comercializado aumentou 21,8%, indicando que o consumidor está incorporando esses produtos à cesta. Nas grandes redes, proteínas e barrinhas concentram os maiores sortimentos por loja, enquanto a creatina permanece como principal alavanca em valor”, detalha.
Para Campos, esse desempenho mostra que o canal farma ainda está longe de atingir seu potencial máximo na categoria, sobretudo porque reúne atributos como conveniência, proximidade e confiança para acelerar a penetração no mercado.
Indústria amplia capacidade e aposta na massificação do consumo
A indústria acompanha esse movimento. Na Atlhetica Nutrition, a estratégia passa pela democratização do acesso, que ganhou ainda mais relevância após uma análise da Anvisa envolvendo 41 marcas de creatina. “Nossa linha foi a única a ser aprovada em todos os critérios laboratoriais avaliados”, reitera o diretor de vendas Jefferson Silva.
Atualmente, por meio de sua planta própria de 75 mil metros quadrados baseada em Matão (SP), a fabricante abastece mais de 20 mil pontos de venda no país e outras 400 farmácias na América Latina.
Distribuição deixa de ser operação e vira estratégia
O fortalecimento do mercado também depende de uma cadeia logística preparada para sustentar o crescimento. Na visão de Alexandre Magno Cunha, CEO da AMC Distribuidora, o distribuidor deixou de desempenhar apenas um papel operacional para atuar como agente de desenvolvimento da categoria.
“A distribuição conecta indústria e varejo, garantindo disponibilidade, velocidade de reposição e execução comercial, fatores decisivos para consolidar o mercado de suplementos nas farmácias”, reforça.
Especializada em produtos saudáveis, a empresa atua há mais de duas décadas no segmento e atende mais de 6 mil farmácias. A estrutura inclui mais de 3 mil metros cúbicos de capacidade de armazenagem, centro de distribuição com 1.300 metros quadrados, entregas em até três dias úteis e serviços adicionais como ações de degustação, sell out e monitoramento completo dos pedidos.
Farmácias transformam prevenção em hábito
O novo perfil do consumidor ajuda a entender esse cenário. Dados apresentados pelas Farmácias Pague Menos indicam que 86% dos brasileiros afirmam ter adotado hábitos mais saudáveis, mas apenas 23% consomem suplementos regularmente. A diferença entre intenção e consumo revela um enorme potencial de expansão para o setor.
“O brasileiro quer saúde. A barreira não é o desejo, mas o acesso, a confiança e a construção do hábito”, entende Mariana Senhore, diretora de marcas próprias do grupo.
Segundo a executiva, as farmácias detêm vantagens competitivas difíceis de replicar por outros canais – capilaridade, conveniência e a credibilidade do farmacêutico como profissional de saúde. Com aproximadamente 1.700 lojas distribuídas pelo país, a rede aposta que o próximo ciclo de crescimento virá da inclusão de consumidores das classes C e D, que muitas vezes nunca frequentaram uma loja especializada em suplementação.
Outro pilar dessa estratégia é o fortalecimento das marcas próprias. Para Mariana, democratizar suplementos significa reduzir a barreira de preço sem abrir mão da qualidade, fortalecendo a fidelização do consumidor e ampliando o acesso à categoria.
Os resultados começam a aparecer. O mercado brasileiro de vitaminas, minerais e suplementos já movimenta R$ 16,9 bilhões e pode alcançar R$ 37 bilhões até 2033. Dentro da Pague Menos, consumidores da categoria apresentam frequência de compra significativamente superior à média, reforçando o potencial dos suplementos para elevar recorrência e rentabilidade no varejo farmacêutico.
A estratégia também avança entre outras grandes redes. A Panvel, por exemplo, vem fortalecendo sua atuação por meio de marcas próprias. “Já temos 49 SKUs ativos na área de suplementação e as vendas aumentaram 17% em um ano. Estamos falando de um diferencial competitivo não replicável, que funciona como motor de fidelização”, destaca a gerente de marcas exclusivas Marina Luz.