Pesquisa revela os 10 medicamentos “sem receita” mais buscados na internet
Emagrecedores e fármacos psiquiátricos lideram ranking
por Gabriel Noronha em
Um levantamento divulgado pelo aplicativo de consultas médicas Olá Doutor revelou os dez fármacos mais procurados por brasileiros no Google juntamente com o termo “sem receita”.
O resultado revela não apenas o desconhecimento de grande parcela da população quanto às normas de consumo de diversos medicamentos, mas também a propensão à automedicação no país.
Confira os 10 medicamentos “sem receita” mais procurados por brasileiros
Os medicamentos mais pesquisados “sem receita” no Brasil
(Nos últimos 12 meses, por volume total de buscas)
| Sibutramina sem receita | 102.330 |
| Mounjaro sem receita | 81.460 |
| Sertralina sem receita | 47.330 |
| Amoxicilina sem receita | 37.870 |
| Ozempic sem receita | 36.160 |
| Ritalina sem receita | 19.990 |
| Venvanse sem receita | 18.650 |
| Testosterona sem receita | 14.370 |
| Roacutan sem receita | 9.340 |
| Prosoy sem receita | 8.800 |
O ranking demonstra uma predominância da categoria de medicamentos emagrecedores, representada por Sibutramina, Mounjaro, Ozempic, que acumulam 58,45% do total das buscas.
Outros termos genéricos como “remédio para emagrecer sem receita” e “inibidor de apetite sem receita” também registraram alto volume de interesse, com 82 mil e 29 mil pesquisas, respectivamente. Os medicamentos psiquiátricos ficaram logo atrás, com 86 mil consultas e aproximadamente 22,8% do volume total, principalmente em função dos fármacos Sertralina, Ritalina e Venvanse.
“Quem busca por medicamentos controlados sem receita está, muitas vezes, tentando resolver um problema de saúde da forma mais rápida que conhece”, explica Anderson Zilli, CEO do Olá Doutor.
“Sibutramina, Ozempic e testosterona sintética são substâncias com indicações precisas e efeitos que exigem monitoramento contínuo. O caminho mais seguro é sempre procurar um profissional de saúde, que avaliará a necessidade do tratamento e possíveis efeitos adversos”, alerta.
Levantamento reforça alerta para a falsificação
A pesquisa por medicamentos na internet e o crescimento das compras em canais digitais vêm ampliando a preocupação do setor farmacêutico com a circulação de produtos falsificados e irregulares. O tema mobiliza entidades representativas da indústria, da distribuição e do varejo, que alertam para os riscos à saúde pública e defendem duas estratégias combinadas – fiscalização mais rigorosa e campanhas de conscientização para orientar o consumidor.
No Brasil, o prejuízo estimado com medicamentos e produtos hospitalares falsificados chega a R$ 11,5 bilhões, refletindo não apenas perdas financeiras, mas riscos diretos à saúde da população. A dificuldade de identificação por parte do consumidor agrava o panorama. De acordo com o Procon, 63% das pessoas já receberam produtos falsificados, o que evidencia falhas nos mecanismos de controle e fiscalização.
Para a Interfarma, a disseminação de informações incorretas e a crescente autonomia do paciente na tomada de decisão também contribuem para o problema. “Quando a ciência é substituída por achismos ou conteúdos sem fonte, quem paga o preço é o paciente”, afirma Renato Porto, presidente-executivo da entidade.
Desde o ano passado, a associação mantém parceria com o Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) no intuito de combater e alertar sobre os riscos da falsificação de medicamentos no país.
O diretor executivo da Abafarma, Oscar Yazbek, reitera os argumentos de Porto, acrescentando que o problema persiste justamente fora do ambiente regulado, especialmente na internet e em plataformas digitais. “Tudo o que está dentro da cadeia regulada tem um nível de proteção muito alto. É muito difícil um medicamento falsificado passar por distribuidores, indústria ou farmácias que seguem as regras”, explica.
Outro ponto crítico está na segurança da cadeia de distribuição. A ABRADIMEX, que representa as 20 maiores distribuidoras de medicamentos de especialidades do país, intensificou o diálogo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) para enfrentar o avanço do roubo de cargas farmacêuticas.
Além do impacto financeiro, há uma preocupação crescente com o destino dessas cargas. Paulo Maia, presidente executivo da associação, adverte que o livre comércio desses medicamentos pelos marketplaces desperta preocupação quanto ao controle da origem. “É possível encontrarmos produtos sendo comercializados abaixo do preço de custo pago pelos distribuidores à indústria, enquanto nosso setor trabalha com margens estreitas. Há algo a ser observado nesse comércio em favor e segurança da saúde pública”, reforça.
A discussão regulatória também ganha protagonismo diante das transformações no varejo farmacêutico. A Abrafarma levou à Anvisa denúncias e preocupações relacionadas à comercialização de medicamentos fora dos canais tradicionalmente controlados. Entre os pontos levantados estão indícios de oferta de produtos irregulares, sem registro sanitário ou de origem desconhecida, além de estruturas logísticas que operariam à margem da fiscalização.
“A venda recorrente de medicamentos em marketplaces é vedada pela legislação sanitária vigente”, reitera Sergio Mena Barreto, CEO da entidade. Ele ressalta que a legislação recente permite o uso de plataformas digitais apenas como suporte logístico, e não como intermediárias comerciais.