Novo Nordisk suspende venda direta de medicamentos emagrecedores
Plataforma NovoCare Farmácia tem operação interrompida temporariamente
por Gabriel Noronha em e atualizado em
A Novo Nordisk suspendeu temporariamente a operação da NovoCare Farmácia, plataforma de venda direta ao consumidor final de medicamentos como Ozempic e Wegovy. As informações são da Gazeta do Povo.
Com a decisão, a comercialização volta a depender da intermediação do varejo farmacêutico, canal que segue sendo um “parceiro estratégico” da companhia na distribuição dos produtos, em um momento de ajustes na estratégia comercial da farmacêutica no Brasil.
A iniciativa de venda direta ao consumidor vinha sendo testada como alternativa para ampliar o acesso aos medicamentos, especialmente diante do crescimento da demanda por tratamentos para obesidade e diabetes.
Venda direta de medicamentos enfrenta desafios regulatórios no Brasil
A suspensão da plataforma no Brasil, além de reforçar o papel do varejo farmacêutico como principal canal de distribuição, evidencia os desafios para a implementação de modelos digitais no setor.
O movimento ocorre em um contexto em que o modelo D2C (direct to consumer) ainda enfrenta restrições regulatórias no país. A Anvisa mantém limitações para a venda de medicamentos fora dos canais tradicionais, embora já tenha sinalizado avanços na regulamentação de marketplaces.
Em nota, a empresa destacou que continua avaliando o cenário e possíveis inovações no modelo de acesso. “A farmacêutica segue acompanhando a evolução do cenário da saúde e buscando inovações que aprimorem a experiência do paciente”, informou.
Enquanto isso, a Novo Nordisk segue se adaptando às normas de cada mercado. No México, por exemplo, a companhia firmou parceria com o Mercado Livre para venda online, destacando que se trata de uma iniciativa adaptada ao ambiente regulatório local.
Recuo da Novo Nordisk reflete pressão do varejo brasileiro
O passo para trás da farmacêutica na iniciativa de venda direta ao consumidor também foi fruto de uma pressão externa. Entidades como a Abrafarma tornaram públicos seus receios em relação às rápidas mudanças nos canais de comercialização de medicamentos.
A associação afirmou em nota que movimentos como o da Novo Nordisk “ferem a legislação vigente no país” e “fragilizam o modelo brasileiro de dispensação de medicamentos”, comprometendo uma etapa essencial da assistência à saúde.
“Estamos diante de episódios de demonstração de miopia e uma visão de curto prazo. É quando a saúde vira negócio, o ‘topa tudo por dinheiro’ na contramão de todos os requisitos que garantem o uso racional e correto do medicamento. É uma mensagem da banalização do tratamento, que a fabricante jamais deveria apoiar”, adverte o CEO Sergio Mena Barreto.
“A transformação digital é bem-vinda e somos parte dela, mas esse movimento não pode acontecer às custas da segurança do paciente. O que está em debate não é apenas um novo modelo comercial, mas a preservação de um sistema que coloca a assistência em saúde acima dos interesses de curto prazo”, conclui.