Master emprestou R$ 336 milhões a executivos e acionistas da Biomm
Farmacêutica afirma que os valores foram concedidos a pessoas físicas e não em nome da companhia
por Adriana Bruno em e atualizado em
Uma reportagem publicada pelo Metrópoles aponta que o Banco Master concedeu R$ 336 milhões em empréstimos a acionistas e integrantes do Conselho de Administração da Biomm ao longo de 2024, período em que as ações da farmacêutica acumularam valorização superior a 300%.
Segundo a publicação, as operações ocorreram enquanto o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e então detentor de 25,86% do capital da companhia, ampliava sua participação acionária na empresa.
Em nota enviada com exclusividade ao Panorama Farmacêutico, a Biomm declara que ‘como empresa de capital aberto e em conformidade com as melhores práticas de governança corporativa, esclarece que nunca teve nenhuma relação comercial com o Banco Master. Os empréstimos citados na matéria foram contraídos por acionistas como pessoa física, independentemente da Biomm.
O fundo Cartago foi acionista da companhia no ano de 2024, assim como os outros mais de 1500 acionistas que a companhia possui, e nunca teve nenhuma influência na tomada de decisões da administração, nem teve assento no Conselho de Administração.
Diferente de outras empresas citadas na matéria, a Biomm sequer possui ou possuiu conta corrente, conta investimento ou qualquer outro vínculo com o Banco Master. Adicionalmente, a companhia informa que também não possui controlador, sendo que o maior acionista atual comprou parte da sua posição justamente do banco BRB em uma operação dentro do ambiente da B3.’
O texto da reportagem compara a estrutura das operações ao caso investigado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) envolvendo a Ambipar, mas ressalta que não há informação sobre a existência de investigação da autarquia relacionada à Biomm.
Entre os beneficiários dos empréstimos citados estão os fundadores Walfrido dos Mares Guia e André Emrich (por meio de sua família), além de Pedro Mesquita, indicado pelo Banco Master ao Conselho de Administração da Biomm, e do investidor Lucas Kallas, acionista da companhia por meio da Cedro Participações.
O maior financiamento foi concedido à LPK Participações, empresa de Lucas Kallas, no valor de R$ 254 milhões. Também foram registrados empréstimos de R$ 10,3 milhões para André Emrich, de R$ 10,2 milhões para a Samos Participações, holding da família Mares Guia, além de financiamentos de R$ 45 milhões anteriormente concedidos a Walfrido dos Mares Guia.
Pedro Mesquita, por sua vez, teria contratado dois empréstimos junto ao Banco Master, nos valores de R$ 5,1 milhões e R$ 10,3 milhões. Este último foi firmado nove dias antes de sua eleição para o Conselho de Administração da Biomm.
Ainda de acordo com a reportagem, parte dos sete conselheiros eleitos para o colegiado em abril de 2024 mantinha operações de crédito com o Banco Master, então principal acionista da farmacêutica.
Aumento de capital
Parte dos recursos obtidos por meio dos empréstimos teria sido utilizada para financiar a participação de acionistas no aumento de capital realizado pela Biomm entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2024. A operação movimentou R$ 217 milhões, montante inferior ao volume total dos financiamentos identificados.
À publicação, o fundador da Biomm, Walfrido dos Mares Guia, afirmou que, tanto em seu caso quanto no de André Emrich, “o empréstimo foi para financiar a integralização feita por eles no aumento de capital da empresa”.
As ações emitidas na operação, ao preço de R$ 5,75, chegaram a R$ 17,80 em maio de 2024, acumulando valorização superior a 300% no período.