Consumidores devem destinar R$ 257,8 bi para a compra de medicamentos em 2026
Segundo Pesquisa IPC Maps, gastos com saúde crescerão 7% no ano
por César Ferro em
Os consumidores brasileiros devem destinar R$ 257,8 bilhões à compra de medicamentos em 2026, segundo projeção da Pesquisa IPC Maps, publicada anualmente pela consultoria iPC Marketing. Os gastos com esses produtos só seriam inferiores às despesas estimadas com planos de saúde e tratamentos médicos e dentários (R$ 279,7 bilhões).
“Considerando os dados gerais, até o fim do ano as famílias brasileiras devem desembolsar 7% a mais com saúde em relação ao ano passado”, afirma o sócio da companhia, Marcos Pazzini.
A empresa utiliza metodologias exclusivas para calcular o potencial de consumo nacional, com detalhamento por categorias de produtos em 5.571 municípios do país. O estudo tem como base dados oficiais e softwares de geoprocessamento.
Sudeste concentra mais da metade dos gastos
Na liderança do ranking nacional, o estado de São Paulo responderá por mais R$ 163,7 bilhões em gastos com saúde, seguido por Minas Gerais (R$ 62,5 bilhões) e Rio de Janeiro (R$ 51,7 bilhões). Completam o top 5 Rio Grande do Sul e Paraná.
Onde se gasta mais com saúde
(Participação projetada por região do país)

Classe C é a mais representativa na compra de medicamentos
De acordo com o estudo, a classe C lidera a compra de medicamentos, com projeção de movimentar R$ 119,9 bilhões. Na sequência aparecem as classes B (R$ 79,3 bilhões) e D/E (R$ 32,1 bilhões).
Classes mais baixas compram mais medicamentos
(Participação projetada por classe social)

“Esse grupo ganhou protagonismo devido às migrações entre os estratos sociais, tanto das classes D e E para a C como da B em direção à C”, explica o especialista.
Chama a atenção a divisão dos custos com saúde. Enquanto a classe A concentra mais de 70% do volume em planos de saúde e tratamentos médicos e dentários, a classe D/E apresenta comportamento proporcionalmente inverso.
| Classe social | Gasto projetado com medicamentos | Gasto projetado com saúde | Representatividade dos medicamentos |
| A | R$ 26,4 bilhões | R$ 91,8 bilhões | 28,7% |
| B | R$ 79,3 bilhões | R$ 198,2 bilhões | 40% |
| C | R$ 119,9 bilhões | R$ 202 bilhões | 59,3% |
| D/E | R$ 32,1 bilhões | R$ 45,3 bilhões | 70,8% |
Apesar de ser o perfil que menos injeta recursos em medicamentos, a classe A teve o maior crescimento na comparação com o ano passado, com avanço projetado de 17,1%, seguida pela alta estimada de 15,7% da classe C. Os gastos da classe D/E devem permanecer estáveis (+2,1%), enquanto os da classe B tendem a apresentar leve retração (-2,5%).
Consumo geral deve se aproximar dos R$ 9 trilhões
Segundo a IPC, o consumo no Brasil deve movimentar R$ 8,6 trilhões ao longo de 2026. O montante indica crescimento real de 2,3%, acima da expectativa para o PIB, estimada em 1,8%.
“Este ano será atípico e desafiador, já que as recentes guerras ao redor do globo estão impactando diretamente o bolso dos brasileiros, em função da possibilidade de aceleração inflacionária”, avalia Pazzini.
Os gastos com medicamentos e saúde representam apenas 6,7% do total, ficando atrás de categorias como veículos próprios, habitação, outras despesas (como serviços, reformas e seguros) e alimentação e bebidas no domicílio.