Importações de cannabis medicinal crescem 29% no semestre
Levantamento da Cannect aponta quase 20 mil autorizações. Número acima da média registrada no mesmo período de 2025
por Adriana Bruno em e atualizado em
A Anvisa autorizou 116.372 importações de produtos à base de cannabis entre janeiro e junho de 2026. O volume representa crescimento de quase 29% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 90.314 autorizações.
Os dados integram levantamento exclusivo da Cannect, realizado com base em informações obtidas via Lei de Acesso à Informação (LAI).
Em junho, foram registrados 18.255 pedidos. Com exceção do pico de 23.199 autorizações em março, a média mensal de 2026 ficou próxima de 20 mil, acima das cerca de 15 mil observadas no primeiro semestre de 2025.
Demanda por cannabis medicinal mantém ritmo elevado
Para Allan Paiotti, CEO da Cannect, os dados indicam uma mudança no comportamento dos pacientes brasileiros em relação ao uso da cannabis medicinal. “Esse crescimento prova que a cannabis deixou de ser uma terapia alternativa de exceção para se consolidar como um tratamento de manutenção para milhares de brasileiros com doenças”, afirma.
Segundo o executivo, a expansão está relacionada tanto à entrada de novos pacientes quanto à continuidade de tratamentos por pessoas que já utilizam produtos à base de cannabis para condições como dores, ansiedade e insônia.
Paiotti também destaca a necessidade de ampliar o suporte clínico diante do aumento de pacientes em tratamento contínuo. “Quando o volume de pacientes crônicos em tratamento contínuo atinge essa escala, o papel do atendimento primário com equipes multidisciplinares passa a ser fundamental”, completa.
Regulação abre espaço para cadeia industrial
O avanço da demanda ocorre em paralelo a mudanças no ambiente regulatório. Conforme a RDC nº 1.015/2026, publicada em fevereiro e em vigor desde maio, a Anvisa estabeleceu regras para a importação de matérias-primas destinadas à pesquisa, ao desenvolvimento e à fabricação nacional de insumos e medicamentos.
Entre os itens contemplados estão a espécie vegetal, extratos e o fitofármaco canabidiol (CBD), além dos produtos finalizados.
A regulamentação também prevê regras relacionadas a cotas de importação e distribuição local. Segundo o levantamento, a estruturação das normas representa um novo momento para a cadeia produtiva e para o abastecimento do setor.