Usabilidade dos sistemas impacta ritmo de vendas nas farmácias
Experiência do operador ganha espaço na eficiência do PDV
por Gabriel Noronha em
A usabilidade dos sistemas digitais no balcão de atendimento tornou-se um fator determinante para a eficiência operacional das farmácias. Conforme explica Victor Paula, product owner da Procfit, o varejo farmacêutico lida diariamente com um fluxo intenso de clientes e não pode perder tempo com telas travadas ou processos burocráticos.
Na sua visão, a dedicação quase exclusiva das varejistas à jornada de compra do consumidor final, ou mesmo às demandas administrativas da retaguarda, acaba deixando em segundo plano a otimização das ferramentas utilizadas pelos operadores no PDV.
“Como intermediário dessa operação, o profissional do estabelecimento consegue, ao simplificar a navegação e eliminar atritos operacionais, transformar a rotina da loja em uma alavanca de resultados comerciais”, acredita.
Menos passos na tela e o ganho de produtividade no atendimento
O especialista entende que o principal obstáculo nas lojas físicas ainda é a complexidade dos sistemas operacionais.“Em muitas rotinas de pré-venda, o atendente precisa interromper o diálogo com o consumidor para abrir navegadores externos, consultar autorizadores de convênios ou buscar códigos de programas de benefícios antes de concluir o registro”, relata.
Para simplificar a operação, a aplicação precisa reunir em um único fluxo o histórico do cliente, a indicação dos produtos de maior rentabilidade para a loja e a aplicação direta de descontos.
Otimização da usabilidade de sistemas ganha destaque com turnover
A facilidade no manuseio da ferramenta ganha importância diante da alta rotatividade de equipes, um desafio enfrentado por farmácias de todos os portes. A cada nova contratação, sistemas podem exigir semanas de treinamento para ensinar apenas o funcionamento básico da plataforma, gerando custos e perda de produtividade.
“Essa rotina precisa reproduzir a naturalidade de um comércio eletrônico, guiando o vendedor por etapas lógicas de identificação do cliente, inclusão dos itens, inserção de vantagens e finalização da cesta”, avalia o executivo.
A experiência da Nissei e o operador no centro das decisões
A reformulação desse modelo foi testada a partir de uma imersão realizada na Nissei. Durante mais de uma semana, a equipe técnica da Procfit acompanhou o trabalho dos operadores no “chão de loja”, registrando os gargalos de atendimento sem interferir na rotina.
A partir dessa análise, a companhia reformulou o sistema utilizado pela varejista antes e durante a jornada de compra, reduzindo o tempo de atendimento. O modelo tornou-se padrão da plataforma e já foi expandido para redes como Farma Conde e Pensefarma. “O profissional da linha de frente também precisa estar no centro da experiência”, enfatiza.