Libbs destaca novas estratégias para depressão
Persistência de sintomas mesmo após melhora inicial reforça a avaliação de terapias adjuvantes para ampliar a recuperação funcional
por Adriana Bruno em e atualizado em
A resposta parcial ao tratamento do Transtorno Depressivo Maior é frequente na prática psiquiátrica. O quadro ocorre quando o paciente apresenta melhora com o antidepressivo, mas não alcança a remissão completa dos sintomas, mantendo impactos sobre bem-estar, qualidade de vida e funcionalidade.
Mesmo com a redução de manifestações como tristeza intensa e retomada parcial da rotina, podem persistir fadiga, ansiedade, dificuldade de concentração, distúrbios do sono e limitações funcionais.
A apresentação contou com cobertura do Panorama Farmacêutico.
“O paciente, muitas vezes, consegue voltar a trabalhar ou retomar algumas atividades do dia a dia, e pensa que atingiu o máximo possível de melhora com o antidepressivo prescrito. Mas resposta parcial não significa remissão. Em muitos casos, ainda há espaço para otimizar o tratamento e recuperar a funcionalidade de forma mais ampla”, afirma o psiquiatra Felipe Lobo, médico consultor da Libbs e supervisor do ambulatório de transtornos de personalidade da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Nem todo paciente alcança remissão completa
O estudo STAR*D (Sequenced Treatment Alternatives to Relieve Depression) mostrou que uma parcela significativa dos pacientes não alcança remissão completa com o primeiro antidepressivo. Entre aqueles que precisam avançar para novas etapas terapêuticas, as taxas de remissão tendem a diminuir progressivamente.
Segundo Lobo, diante de uma resposta parcial, a troca do antidepressivo costuma ser uma das primeiras condutas e pode ocorrer sucessivamente antes da avaliação de estratégias de otimização, como as terapias adjuvantes.
L-metilfolato pode agir em determinados perfis
Entre as alternativas estudadas está o levomefolato de cálcio (L-metilfolato), forma ativa do folato envolvida na síntese de neurotransmissores relacionados ao humor e que pode ser utilizada como terapia adjuvante em pacientes selecionados, conforme avaliação médica.
Estudos também apontam possíveis benefícios do L-metilfolato em determinados perfis clínicos, incluindo pacientes com índice de massa corporal elevado e marcadores inflamatórios aumentados, como proteína C-reativa ultrassensível e determinadas citocinas.
O psiquiatra ressalta que a resposta parcial à depressão pode ter diferentes causas, o que exige considerar características individuais e alternativas complementares ao antidepressivo. “O objetivo do tratamento é permitir que o paciente recupere a funcionalidade, a autonomia e a qualidade de vida”, finaliza.