Anvisa libera venda de medicamentos na Magalu
Nova norma amplia participação de marketplaces no setor
por Gabriel Noronha em
A Anvisa revogou a medida preventiva que proibia o Magazine Luiza de comercializar, distribuir e fazer propaganda de medicamentos. A decisão consta na Resolução-RE nº 3.742, publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira, dia 23, e considera a entrada em vigor da Lei nº 15.357/2026. As informações são do portal Money Times.
Com a mudança, a autarquia passou a permitir que farmácias e drogarias licenciadas contratem canais digitais e plataformas de comércio eletrônico para serviços de logística e entrega ao consumidor, desde que sejam observadas as regras sanitárias. A aplicação do dispositivo, porém, ainda depende de regulamentação específica da Anvisa.
As ações do Magazine Luiza chegaram a subir cerca de 6% durante o pregão desta quarta-feira. Por volta das 14h10, os papéis avançavam 3,39%, cotados a R$ 6,10.
Mercado de venda de medicamentos online ganha concorrência
A decisão abre espaço para o marketplace da companhia atuar no segmento de medicamentos, que já conta com plataformas como iFood e Rappi. A Shopee também recebeu autorização da Anvisa, enquanto o Mercado Livre já testa a venda de medicamentos em São Paulo.
Para Caroline Sanchez, analista da Levante Inside Corp., a medida cria uma nova possibilidade de expansão para o Magalu, apesar de não alterar de forma relevante as estimativas de curto prazo, já que a empresa não poderá vender fármacos diretamente.
“A categoria é interessante por ter alta recorrência de compra e pode gerar mais tráfego, frequência e receitas de comissão e logística para o ecossistema do Magalu”, afirma.
Entidades do setor pregam cautela
O movimento é observado por diversos players do mercado, que avaliam o impacto regulatório da revogação da medida preventiva. Recentemente, o Panorama Farmacêutico divulgou com exclusividade uma solicitação formal de esclarecimentos técnicos, encaminhada à Anvisa e assinada por Abafarma, Abcfarma, Abradilan, Abrafarma e Febrafar.
“A transformação tecnológica faz parte do futuro do varejo, mas precisamos de clareza e segurança. A legislação estabelece condições para a atuação de plataformas digitais, mas também determina o cumprimento integral da regulamentação sanitária. Por isso, é fundamental que a Anvisa informe como essas novas possibilidades devem ser aplicadas na prática”, advertiu Sergio Mena Barreto, CEO da Abrafarma.