Canetas emagrecedoras podem chegar ao SUS com até 90% de desconto
Ministério da Saúde estima orçamento de R$ 1,5 bilhão por ano para ampliar acesso aos medicamentos contra obesidade
por Adriana Bruno em e atualizado em
As canetas emagrecedoras podem ganhar espaço no Sistema Único de Saúde (SUS). Após uma redução de cerca de 70% nos preços nas farmácias em menos de um ano, o Ministério da Saúde estima que a aquisição em escala pública, associada à produção nacional, poderá reduzir em 80% a 90% o custo dos medicamentos.
A previsão é de um orçamento de aproximadamente R$ 1,5 bilhão por ano para a incorporação. O Ministério já apresentou à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) um pedido de avaliação desses medicamentos.
Segundo Alexandre Padilha, ministro da Saúde, medidas adotadas desde 2025 ampliaram a oferta e estimularam a concorrência. “Fizemos uma série de ações que favorecem um novo cenário. Barramos a tentativa de prorrogação da patente, viabilizamos a produção nacional e chamamos fabricantes a registrar novos produtos no país. Conseguimos ampliar o acesso. Deixou de ser só para ricos”, afirma.
Chamamento do MS
Após um chamamento do Ministério da Saúde e da Anvisa, 16 novos produtos foram registrados em 2026, entre genéricos e similares. Pelo menos quatro são fabricados no Brasil. No mesmo período, o número de usuários passou de cerca de 400 mil para mais de 750 mil por mês, segundo dados da Anvisa.
“Na farmácia, o preço já está 70% mais barato. Quando você pensa na escala de compras do SUS, com produção local, isso nos traz a possibilidade de uma redução de 80% a 90% do preço. Estamos projetando que, a um custo de R$ 1,5 bilhão ao ano, a gente consegue trazer esses produtos e incorporar no SUS”, diz Padilha.
A possível incorporação segue recomendações recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) para terapias baseadas em GLP-1, que devem ser associadas a alimentação saudável, atividade física e outras estratégias de cuidado.
O Ministério também prevê ampliar ações de prevenção. A Academia da Saúde deverá receber 582 novos estabelecimentos em 448 municípios, com investimentos de R$ 80,7 milhões. As atividades passaram de 331,6 mil, em 2022, para 492,1 mil em 2025, crescimento de 48,5%.