Importação de cannabis medicinal cresce 33,4% em julho
Análise da Cannect contabiliza 21.762 autorizações no mês e 138.134 nos sete primeiros meses de 2026
por Adriana Bruno em
O Brasil registrou 21.762 autorizações para importação de produtos à base de cannabis medicinal em julho de 2026, alta de 19,4% em relação a junho e de 33,4% na comparação com julho do ano passado. O volume representa o segundo maior da série histórica, atrás apenas de março deste ano, quando foram contabilizadas 23.199 autorizações.
Os dados integram um levantamento inédito realizado pela Cannect, ecossistema de saúde voltado ao cuidado integral de pacientes com doenças crônicas, com base em informações obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). O estudo foi enviado com exclusividade ao Panorama Farmacêutico.
Entre janeiro e julho, a Anvisa concedeu 138.134 autorizações, ante 106.626 no mesmo período de 2025. O resultado representa crescimento de 29,5% na comparação anual e média mensal de aproximadamente 19,7 mil autorizações. “Os números confirmam que a cannabis medicinal deixou de ser nicho no Brasil. 2026 é o ano da virada, e 2027 deve consolidá-la”, afirma Allan Paiotti, CEO da Cannect.
Na avaliação do executivo, a evolução regulatória abre espaço para mudanças na estrutura de produção e abastecimento. “As novas diretrizes da Anvisa viabilizam, no médio prazo, uma produção nacional voltada a formulações mais simples, enquanto a importação continuará essencial para oferecer a diversidade e a complexidade terapêutica de que muitos pacientes precisam. O futuro do setor é um modelo híbrido, e não a troca de um modelo por outro”, acrescenta.
Autorizações avançam em todos os meses do ano
A comparação mensal mostra crescimento das autorizações em todos os meses de 2026 em relação aos mesmos períodos de 2025. O maior avanço percentual ocorreu em março, com alta de 60,1%, seguido por janeiro, com 35,2%, e julho, com 33,4%.
Em números absolutos, março permanece como o mês de maior volume da série apresentada, com 23.199 autorizações. Julho aparece na segunda posição, com 21.762, superando os resultados registrados nos demais meses do período.
O desempenho de julho também sucede uma sequência de volumes mensais próximos ou superiores a 18 mil autorizações em 2026. Em junho, foram 18.255, enquanto abril e maio registraram, respectivamente, 18.616 e 18.339.
Autorizações concedidas pela Anvisa — 2025 e 2026
| Mês | 2025 | 2026 | Variação anual |
| Janeiro | 14.045 | 18.998 | +35,2% |
| Fevereiro | 14.554 | 18.965 | +30,3% |
| Março | 14.485 | 23.199 | +60,1% |
| Abril | 15.771 | 18.616 | +18,0% |
| Maio | 17.156 | 18.339 | +6,9% |
| Junho | 14.303 | 18.255 | +27,6% |
| Julho | 16.312 | 21.762 | +33,4% |
| Acumulado do ano | 106.626 | 138.134 | +29,5% |
Fonte: Cannect, com base em informações da Anvisa obtidas via Lei de Acesso à Informação (LAI)
Regras de acesso e desenvolvimento da cadeia produtiva
A legislação brasileira permite a comercialização de determinados produtos derivados de cannabis no mercado nacional. Além disso, a Anvisa autoriza a importação por pacientes de produtos à base da planta, mediante prescrição de médico ou dentista e autorização prévia da agência reguladora.
Essa modalidade permite o acesso a produtos utilizados em tratamentos de diferentes condições de saúde, incluindo dor, ansiedade, insônia, autismo, doença de Parkinson e epilepsia. A indicação depende de avaliação profissional e das particularidades de cada caso.
Paralelamente, o ambiente regulatório passa por mudanças relacionadas à estruturação da cadeia produtiva nacional.
Segundo Paiotti, as diretrizes recentes da Anvisa contemplam regras para a importação de matérias-primas, incluindo material vegetal, extratos e o fitofármaco canabidiol (CBD), destinadas à pesquisa, ao desenvolvimento e à fabricação nacional de insumos e medicamentos.
Para o executivo, a organização dessas etapas tem implicações para a estruturação do mercado e para o abastecimento. “Para o mercado, essa estruturação governamental, que inclui regras de cotas de importação e distribuição local, é um passo definitivo para profissionalizar a cadeia produtiva e garantir o abastecimento seguro a longo prazo”, finaliza.