Genéricos e farmácias perdem força em setembro
BTG Pactual aponta desaceleração do mercado no terceiro trimestre
por Adriana Bruno em e atualizado em
O varejo farmacêutico brasileiro registrou crescimento de 3,7% nas vendas em setembro de 2026, na comparação anual, abaixo da expansão de 5,7% observada em agosto. Os dados integram relatório setorial do BTG Pactual, divulgado em 21 de outubro, com base nos indicadores de sell-out compilados pela IQVIA e divulgados pela Sindusfarma.
O levantamento considera medicamentos sob prescrição, produtos isentos de prescrição (OTC) e itens selecionados de cuidados com a saúde. Os valores são calculados a preços de compra das farmácias (PPP).
A desaceleração também atingiu o segmento de medicamentos genéricos, cuja expansão passou de 4,4% em agosto para 3,4% em setembro. Em julho, a categoria havia registrado crescimento anual de 10,5%.
Crescimento perde força ao longo de 2026
O ritmo de expansão do mercado farmacêutico diminuiu progressivamente ao longo dos três primeiros trimestres do ano. O crescimento do sell-out total passou de 13,6% no primeiro trimestre para 9,5% no segundo e 6,3% no terceiro, sempre na comparação anual.
Luiz Guanais, analista do BTG pondera no relatório que apesar da desaceleração, o desempenho acumulado até setembro permaneceu positivo. No período, as vendas do setor avançaram 9,6%, enquanto o segmento de genéricos registrou alta de 10,4%.
A trajetória mensal também evidencia a perda de ritmo. Em março, o mercado farmacêutico apresentou crescimento de 18,9%, enquanto os genéricos avançaram 20,6%. Em setembro, as taxas recuaram para 3,7% e 3,4%, respectivamente.
Agosto e setembro registraram desaceleração consecutiva nas duas categorias, após os avanços observados em julho.
GLP-1 representa parcela relevante das receitas
Os medicamentos da classe GLP-1 permanecem entre os principais vetores de crescimento das redes farmacêuticas de capital aberto acompanhadas pelo banco.
Segundo as estimativas do BTG Pactual, esses produtos representaram aproximadamente 11% da receita das empresas listadas cobertas pelo relatório no segundo trimestre de 2026. A categoria respondeu por cerca de 5 pontos percentuais do crescimento consolidado de 16% registrado por essas companhias no período.
O relatório também considera a ampliação da disponibilidade desses medicamentos e a chegada de novos lançamentos entre os fatores que influenciam as perspectivas para o segmento. A análise abrange ainda a demanda por medicamentos tradicionais e genéricos.
Em relação às empresas acompanhadas, o BTG Pactual mantém recomendação de compra para Raia Drogasil, Panvel e Pague Menos, com preços-alvo específicos para cada companhia.
BTG mantém recomendação de compra para três redes
Com referência em 21 de outubro de 2026, os preços-alvo indicados no relatório são de R$ 21,61 para a Raia Drogasil (RADL3), R$ 16,04 para a Panvel (PNVL3) e R$ 5,70 para a Pague Menos (PGMN3). O banco mantém recomendação de compra para as três empresas.
A avaliação utiliza o método de fluxo de caixa descontado (DCF) para estimar o valor das companhias. Os parâmetros variam conforme a empresa. Para a Pague Menos, o custo de capital próprio é de 14,3% em dólares, e a taxa de crescimento na perpetuidade é de 5,5%.
Para a Panvel, os indicadores são de 13,5% e 3,5%, respectivamente. No caso da Raia Drogasil, o custo de capital próprio é de 12%, e a taxa de crescimento na perpetuidade, de 5,5%, ambos em dólares nominais.
Entre os riscos relacionados às companhias, o relatório menciona o teto regulatório para reajustes de medicamentos, os desafios macroeconômicos, os riscos de execução dos planos de expansão e conversão de lojas e o debate regulatório sobre a venda de medicamentos OTC em supermercados. Para a Raia Drogasil, o banco também destaca a elevada concorrência, especialmente no segmento de higiene e cuidados pessoais.