Mercado farmacêutico perde volume em setembro, mas fatura 7,2% mais
Prévia da IQVIA projeta R$ 23,6 bilhões no varejo. Medicamentos éticos crescem em unidades, enquanto consumo recua 2%
por Gabriel Noronha em
A Prévia de Mercado Setembro 2026, elaborada pela IQVIA, estimou que o mercado farmacêutico brasileiro finalizou o mês com 742,2 milhões de unidades vendidas no varejo, representando um recuo de 0,7% frente a setembro de 2025 e uma queda de 1,5% sobre agosto.
Em valores, no entanto, a trajetória do setor permaneceu em expansão. A projeção consolidada aponta um faturamento de R$ 23,6 bilhões, o que corresponde a um avanço de 7,2% na comparação anual, mesmo com uma retração mensal de 2,2% na passagem de agosto para setembro.
Volume de vendas do mercado farmacêutico
(Em milhões de unidades)

Faturamento do mercado farmacêutico
(Em milhões R$)

“O crescimento do faturamento precisa ser analisado à luz das mudanças no mix de vendas da farmácia. Os GLP-1 merecem atenção nessa leitura: por terem um valor por unidade muito superior à média, podem influenciar a receita sem uma expansão proporcional do volume vendido”, destaca César Bentim, conselheiro consultivo da Riverdata.
Mercado farmacêutico tem cenários distintos por categorias
Ao segmentar o mercado, a divisão de medicamentos registrou 508,6 milhões de unidades comercializadas, exibindo relativa estabilidade frente a setembro de 2025 (-0,1%) e leve recuperação de 1,0% na comparação com o mês anterior. Em faturamento, a alta foi de 5,5%, alcançando R$ 13,4 bilhões.
Volume de vendas de medicamentos
(Em milhões de unidades)

No recorte entre perfis de dispensação, os medicamentos éticos foram os responsáveis pela sustentação do volume. Com 320 milhões de unidades, a categoria cresceu 1,2% sobre o mesmo período de 2025 e 1,7% ante agosto. Já os fármacos populares, que reúnem similares e genéricos de balcão, recuaram 2,2% no ano e 0,3% no mês, somando 188,6 milhões de unidades.
Em termos financeiros, o destaque fica com os populares, que aceleraram mais rápido e subiram 6,7%, atingindo R$ 4,45 bilhões enquanto os éticos avançaram 5,0% e somaram R$ 8,96 bilhões.
Por outro lado, os bens de consumo tiveram o desempenho mais tímido em capilaridade física. O segmento encerrou setembro com 422,2 milhões de unidades comercializadas, o que representou retração de 2,0% em relação a setembro de 2025 e queda de 3,8% frente a agosto.
“Esse cenário exige colocar uma lupa sobre cada categoria. Acompanhar o comportamento do consumidor e ajustar sortimento, estoques e ações comerciais ganha ainda mais importância, porque o crescimento agregado pode esconder realidades muito diferentes dentro da mesma farmácia”, complementa o executivo.
Volume de vendas de bens de consumo
(Em milhões de unidades)

Em faturamento, a categoria cresceu 6,1% em doze meses, somando R$ 10,87 bilhões, mas recuou 4,4% na comparação mensal com o mês anterior.
A resiliência do mercado farmacêutico não o torna imune às condições macroeconômicas, na visão de Bentim. Pressões inflacionárias, juros elevados por um período prolongado e incertezas podem comprometer o orçamento das famílias e tornar suas escolhas mais restritivas. “Para as farmácias, esse ambiente também encarece o capital de giro e o financiamento dos estoques, reforçando a necessidade de acompanhar cada categoria e equilibrar disponibilidade, giro e rentabilidade”, finaliza.