Elfa pede proteção judicial para renegociar dívidas
Distribuidora busca preservar operações e negociar obrigações com credores
por Gabriel Noronha em
A Elfa ajuizou um pedido de tutela cautelar antecedente para preservar suas operações e abrir espaço para negociar dívidas com credores. A medida foi apresentada na última quarta-feira, dia 28, dois meses após a saída do Patria Investimentos do controle da distribuidora. As informações são da Bloomberg.
A companhia informou que o pedido busca manter a regularidade das atividades da empresa e de suas subsidiárias, além de criar condições para renegociar obrigações financeiras.
A Elfa afirmou que mantém as operações normalmente e continuará cumprindo os compromissos com clientes, fornecedores e colaboradores.
O comunicado, assinado pelo diretor-presidente, financeiro e de relações com investidores, Marcel André Molon, não informa o valor das dívidas abrangidas pela medida nem detalha os próximos passos do processo. A empresa afirmou que comunicará o mercado sobre novos desdobramentos.
Elfa enfrenta dívida de R$ 1,48 bilhão
Em agosto, o Patria vendeu 99,56% do capital da Elfa à Gravataí Participações por R$ 620,49, valor simbólico que refletia o elevado endividamento da companhia.
Com a mudança de controle, os conselheiros indicados pela antiga controladora e a diretoria renunciaram, e Molon assumiu o comando da empresa.
O balanço do primeiro semestre de 2026 registrou dívida de R$ 1,48 bilhão, R$ 380 milhões abaixo do valor informado em 2025. No mesmo período, a receita operacional líquida caiu de R$ 2,12 bilhões para R$ 1,42 bilhão, em parte devido à descontinuação de linhas de negócio. O prejuízo avançou 137,8%, passando de R$ 130,1 milhões para R$ 309,3 milhões.
O grupo foi formado ao longo de mais de 20 aquisições realizadas durante a gestão do Patria. Nos últimos anos, a estratégia passou a priorizar desinvestimentos, melhoria das margens e redução do endividamento.
O contrato de venda à Gravataí também prevê pagamento adicional aos fundos do Patria. Caso a nova controladora revenda a companhia, suas controladas ou o negócio em até 36 meses, os antigos controladores terão direito a uma parcela do ganho de capital.