Farmácias se adaptam e acompanham a reforma tributária
Levantamento da Receita aponta que 81% dos emissores de NFC-e já destacam a CBS
por Gabriel Noronha em
Dados divulgados pela Receita Federal revelaram que 81% dos emissores de Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e) já destacam a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) em todos ou em parte dos documentos emitidos.
O levantamento considera 207.034 estabelecimentos de diferentes segmentos, incluindo farmácias, supermercados, restaurantes e postos de combustíveis. Desse total, 73.841 informaram a CBS em todas as notas e 94.827, em parte delas. Outros 38.366 não destacaram o tributo. Os dados foram atualizados em 8 de outubro de 2026 e consideram documentos emitidos até o dia 7.
A pesquisa abrange empresas não optantes pelo Simples Nacional. Em 2026, os estabelecimentos enquadrados nesse regime não estavam obrigados a destacar a CBS e, por isso, ficaram fora do levantamento.
Reforma Tributária muda emissão de notas nas farmácias
A CBS substituirá o PIS e a Cofins, enquanto o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) substituirá gradualmente o ICMS e o ISS. O ano de 2026 é dedicado à adaptação, considerando que a cobrança da CBS começa em 2027, e a transição para o IBS será concluída em 2033.
A emissão de NF-e e NFC-e com as informações dos novos tributos começou em 3 de agosto de 2026 para os contribuintes abrangidos pelo cronograma da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS. Para empresas do Simples Nacional, a previsão é iniciar essa etapa em 1º de janeiro de 2027, conforme as regras do regime.
A ausência de determinados dados sobre os novos tributos ainda não provoca rejeição automática das notas fiscais. A flexibilização das validações, porém, não dispensa o cumprimento das obrigações quando exigidas.
Para Ulisses Brondi, CEO da ASIS Tax Tech, as farmácias precisam revisar os cadastros de produtos e verificar se os sistemas utilizam corretamente as informações fiscais na emissão das notas.
“Uma farmácia pode trabalhar com uma grande variedade de produtos e receber atualizações de diferentes fornecedores. Nesse ambiente, é importante conferir se os dados do cadastro estão adequados e se os sistemas utilizam essas informações corretamente na emissão dos documentos”, afirma.
A revisão também deve considerar as diferenças entre produtos e operações. Nas redes, o trabalho inclui verificar se as unidades utilizam configurações fiscais consistentes.
Nas farmácias independentes, a adaptação exige alinhamento entre gestão, fornecedores de sistemas e responsáveis pelas rotinas contábeis e fiscais.
“O objetivo é transformar a informação fiscal em algo que possa ser acompanhado e conferido pela empresa. A partir dos apontamentos, os profissionais conseguem investigar o que precisa ser ajustado de acordo com as características de cada operação”, explica Brondi.