Cade recomenda aprovação da compra da Medley pela EMS
Operação de R$ 3,2 bilhões depende da venda de ativos para preservar a concorrência
por Gabriel Noronha em
A Superintendência-Geral do Cade recomendou a aprovação da compra da Medley pelo Grupo EMS, condicionada à venda de parte dos negócios. A operação, anunciada por cerca de US$ 600 milhões (R$ 3,2 bilhões à época), ainda será analisada pelo tribunal do órgão, responsável pela decisão final. As informações são do portal Invest News.
A proposta de venda de ativos foi apresentada pelas próprias empresas após questionamentos do Cade. Os detalhes do acordo, incluindo as marcas e os negócios que serão negociados, permanecem sob sigilo.
A recomendação técnica prevê a assinatura de um Acordo em Controle de Concentrações (ACC), que estabelecerá as obrigações para a conclusão da operação.
Compra da Medley preocupa Cade em dois segmentos
A análise identificou riscos concorrenciais em dois mercados — o de estimulantes da ovulação e o de medicamentos contra enxaqueca à base de naratriptana. No primeiro, EMS e Medley somam mais de 90% das unidades vendidas em farmácias, enquanto no segundo a participação conjunta fica entre 50% e 60%.
Entre os produtos envolvidos está o Clomid, da Medley, à base de citrato de clomifeno. Segundo o Cade, não há concorrentes que comercializem a mesma substância, nem registros de entrada de novos competidores nos últimos cinco anos.
Laboratórios consultados também informaram não ter capacidade disponível para ampliar imediatamente a produção e absorver eventual migração da demanda.
No mercado de naratriptana, além das empresas envolvidas na operação, apenas a GSK comercializa a mesma substância, com o medicamento de referência. Na avaliação do órgão, a Libbs seria a única concorrente com condições de disputar o mercado com o grupo resultante da aquisição.
O Cade também considerou que a entrada da Medley nesse segmento havia sido a única bem-sucedida nos últimos anos. Com a compra, a empresa passaria a integrar o grupo de um dos concorrentes já estabelecidos.
A Superintendência analisou 120 cenários, considerando diferentes categorias de medicamentos e canais de venda. Em 70 deles, a operação se enquadrou nos critérios de análise simplificada.
Nos demais, a área técnica identificou, na maior parte dos casos, concorrentes capazes de manter a disputa por clientes. Os riscos ficaram concentrados nos dois segmentos para os quais foi proposta a venda de ativos.