ABOL lança guia para padronizar operações de logística farmacêutica
Publicação busca facilitar aplicação das exigências sanitárias
por Gabriel Noronha em
A atuação dos operadores logísticos na cadeia de medicamentos ganhou um novo material de referência com o lançamento do “Guia Prático: Logística farmacêutica aplicada à gestão dos Operadores Logísticos”, desenvolvido pela Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL).
A publicação reúne orientações para empresas que realizam atividades como armazenagem, transporte e distribuição de produtos farmacêuticos. As informações são do portal Mundo Logística
O conteúdo foi construído durante três anos por profissionais de empresas associadas à ABOL e tem como base as RDCs 430/2020, 938/2024 e 939/2024, da Anvisa. A proposta é aproximar as determinações regulatórias da rotina operacional dos prestadores de serviços.
A relevância do tema está relacionada à participação dos operadores na cadeia farmacêutica. Segundo a ABOL, cerca de 50% das empresas do segmento atendem à indústria farmacêutica. Entre as associadas da entidade, no entanto, a proporção se aproxima dos 90%.
“Hoje, temos na mesma sala, a indústria, o operador e os agentes federais, quem fiscaliza e quem regula. O próximo passo é ampliar esse olhar para todo o ecossistema, incluindo a última milha, pois tudo o que precisamos alcançar, em termos de investimento, cumprimento da legislação e qualidade, deve estar conectado até a chegada do medicamento à casa do consumidor”, afirma Ricardo Buteri, presidente do Conselho Deliberativo da ABOL.
Logística farmacêutica ganha orientações práticas
Entre os assuntos abordados estão boas práticas, segurança ambiental, regimes fiscais e logística reversa. O guia inclui ainda uma tabela de compatibilidade desenvolvida a partir de consultas a mais de 200 farmacêuticos.
Um dos focos da publicação é esclarecer conceitos que interferem diretamente na operação, como o cross-docking. O material também estabelece diferenças entre mercadorias em trânsito e produtos submetidos a processos de armazenagem, além de apresentar parâmetros para terminais de carga e estruturas de armazenamento.
“Quando começamos o trabalho, precisávamos explicar a taxonomia de cross-docking. Há anos buscamos esclarecer essa questão, principalmente depois da RDC 430. O guia nasceu dessa necessidade de colocar na prática a figura do OL dentro desse universo”, explica Kleber Fernandes, CCO Life Sciences da AGV e diretor de logística de produtos de interesse à saúde da ABOL.
Os terminais de carga, segundo o material, concentram atividades como recebimento, transbordo, agendamento e troca de produtos, enquanto as estruturas de armazenagem estão sujeitas a requisitos específicos para conservação dos medicamentos. Entre os fatores considerados estão controle de temperatura, rastreabilidade e preservação da integridade dos produtos.
Exigências regulatórias impactam investimentos
As diferenças na aplicação das normas entre estados e municípios também foram discutidas durante o lançamento. Questões relacionadas a licenciamento, estruturas e procedimentos podem afetar o cronograma de implantação ou expansão de operações.
De acordo com a ABOL, a obtenção ou renovação de licenças pode levar meses. Dependendo das características da operação e das exigências aplicáveis, o prazo para iniciar uma atividade farmacêutica pode superar 120 dias e chegar a 180 dias.
Para a entidade, um maior alinhamento regulatório pode contribuir para o planejamento das empresas e para a definição dos investimentos necessários nas operações.
“Precisamos de uma logística farmacêutica cada vez mais segura e eficiente. O alinhamento é necessário para que as empresas consigam planejar seus investimentos e operações com maior assertividade”, afirma Marcella Cunha, diretora executiva da ABOL.
A associação considera o guia um material sujeito a atualizações conforme a evolução das operações e das normas.