Alanac avalia impactos da retaliação aos EUA
Palácio do Planalto avalia resposta a tarifas impostas pelo governo americano
por Gabriel Noronha em
O agravamento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos colocou o setor de saúde no centro das discussões estratégicas do governo federal. Horas após o anúncio de novas tarifas de 25% sobre dezenas de produtos brasileiros, o Palácio do Planalto passou a avaliar movimentos de retaliação aos EUA, que podem envolver o setor audiovisual e de patentes farmacêuticas. As informações são do G1.
As alternativas de resposta, em discussão por ministros e técnicos do governo, serão apresentadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia do governo engloba acionar instrumentos da Lei da Reciprocidade Econômica e retomar discussões no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), medida que daria respaldo jurídico internacional para eventuais retaliações do Brasil.
Efeito da retaliação comercial aos EUA é limitado, avalia Alanac
Apesar da escalada nas tensões, a Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac) avalia que o impacto sobre a cadeia de suprimentos farmacêutica no Brasil é menos relevante do que o imaginado.
“A Alanac acompanha o cenário de tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, mas avalia que seu impacto direto sobre a cadeia de suprimentos farmacêutica nacional é limitado. A participação de insumos farmacêuticos ativos de origem americana na cadeia produtiva nacional é marginal e pouco relevante frente ao volume total importado, que está concentrado em outros mercados fornecedores”, afirmou a entidade em entrevista exclusiva ao Panorama Farmacêutico.
Considerando esses fatores, a associação entende que o risco direto de um desabastecimento estrutural na produção farmacêutica brasileira é baixo. A Alanac destaca também que medicamentos e insumos têm sido tratados como itens sensíveis nas rodadas de negociação, permanecendo fora do escopo das principais medidas tarifárias anunciadas até agora.
Mesmo com o fornecimento de IFAs protegido no curto prazo, a indústria farmacêutica mantém o alerta ligado para os danos colaterais do conflito diplomático. Ainda de acordo com a entidade, os reais pontos de atenção no momento são os impactos indiretos na operação fabril.
A associação monitora possíveis encarecimentos de equipamentos e de tecnologias que possuem componentes importados, variações cambiais que podem inflacionar os custos de insumos de qualquer origem e a volatilidade geral nas cadeias globais de suprimentos gerada pela guerra comercial.
Cenário reforça necessidade de investimentos em soberania sanitária
Para os executivos do setor, as ameaças de retaliação e o atrito com os americanos apenas jogam luz sobre uma vulnerabilidade histórica que antecede a atual disputa e envolve a elevada dependência externa de insumos ativos.
Independentemente do país fornecedor, a baixa produção nacional de IFAs mantém a saúde pública brasileira exposta a choques geopolíticos, logísticos e cambiais.
Diante desse contexto, a Alanac afirma que o fortalecimento da cadeia farmoquímica deve ser encarado como uma questão de soberania sanitária. A entidade cobra uma política industrial de longo prazo, sustentada por prioridades estratégicas bem definidas.
“Alanac defende a adoção de uma política industrial de longo prazo, com metas e cronograma definidos, para dar segurança a investimentos em plantas de produção”, detalha.
Entre as principais medidas cobradas estão o uso do poder de compra público via Ministério da Saúde e SUS, para garantir previsibilidade de demanda aos fabricantes locais, o financiamento subsidiado e os incentivos fiscais direcionados à produção nacional de medicamentos acabados e farmoquímicos.
O setor defende ainda maior agilidade regulatória por parte da Anvisa na aprovação de novas plantas e unidades produtivas, a formação de mão de obra especializada e a desoneração seletiva de bens de capital empregados na instalação de novas indústrias.
Procurada pela redação do Panorama Farmacêutico, a Interfarma preferiu não se pronunciar, enquanto o Sindusfarma não retornou contato até o momento da publicação.