Seminário DIFAN foi realizado em Brasília com representantes do setor
Com a presença de representantes da indústria farmacêutica, profissionais da saúde, autoridades públicas e integrantes de instituições como Ministério da Saúde, Anvisa, MDIC, MCTI, BNDES, Finep e ABDI aconteceu na última semana, em Brasília (DF), a terceira edição do Seminário DIFAN (Desenvolvimento da Indústria Farmacêutica Nacional), realizado pela Alanac,
O encontro debateu o cenário atual da indústria farmacêutica brasileira, estratégias para o fortalecimento do setor, impactos de novos modelos de mercado, inovação e produção nacional, além dos desafios, avanços e perspectivas da Anvisa.
Ao longo da programação, especialistas e representantes do setor discutiram temas como o fortalecimento da indústria farmacêutica nacional, a ampliação da capacidade de inovação e produção no país, políticas públicas voltadas à sustentabilidade do SUS e ao acesso da população a medicamentos, redução da dependência externa, internacionalização e expansão das exportações brasileiras.
O evento também contou com um painel especializado conduzido pelo Dr. Clayton Luiz Dornelles Macedo, endocrinologista, diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e presidente do Departamento de Endocrinologia do Exercício e do Esporte da entidade. A palestra abordou os desafios relacionados ao mercado de medicamentos manipulados, com destaque para a importância de critérios técnicos, qualidade e segurança sanitária.
Em entrevista ao Panorama Farmacêutico, presidente-executivo da Alanac, Henrique Uchio Tada, destacou o objetivo do evento. “Nesta terceira edição do DIFAN, temos a expectativa de encaminhar bons pontos de soluções para a Anvisa, o Ministério da Saúde, o MDIC e MCTI e as demais instituições responsáveis pela regulação do mercado de medicamentos, para que tenhamos cada vez mais produção, inovação tecnológica e acesso para a população”.
A abertura do evento contou com a participação de Fernando Marques, diretor-presidente da Alanac, além do senador Dr. Hiran Gonçalves e Alexandre Padilha, ministro da Saúde.
“Ao longo de seus 43 anos, a Alanac trabalha para desenvolver conhecimento, gerar empregos e ampliar o acesso da população a medicamentos eficazes. Ao longo de sua história, a entidade sempre esteve presente nas discussões sobre a modernização e a evolução do setor. O DIFAN expressa essa visão. É neste seminário que consolidamos propósitos voltados ao bem-estar da população e ao desenvolvimento tecnológico e industrial”, destacou Fernando Marques.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou que eventos como o seminário, assim como agendas construídas com o setor industrial e temas debatidos pelo governo e pelo Congresso Nacional, contribuem para consolidar a saúde não apenas como uma política social e de inclusão, mas também como uma agenda estratégica para o desenvolvimento do país.
“A saúde sempre será vista como um setor relacionado à demanda social, à inclusão social e ao cuidado com o nosso povo, seja no sistema público de saúde, seja na saúde suplementar”, afirmou o ministro.
Indústria farmacêutica e SUS
Com o tema A indústria farmacêutica nacional enquanto setor estratégico para a sustentabilidade do SUS, a primeira mesa-redonda do dia debateu o papel da indústria farmacêutica nacional no fortalecimento e na sustentabilidade do sistema público de saúde, além de temas como inovação, produção local, regulação e soberania sanitária.
Moderada por Juliana Megid, diretora de Relações Institucionais do Grupo EMS, a mesa contou com a participação de Fernanda De Negri, secretária da SCTIE/MS, Thiago Lopes Cardoso Campos, diretor da DIRE5/Anvisa, Luis Felipe Giesteira, secretário-adjunto da SDIC/MDIC e Thiago de Mello Moraes, coordenador-geral da CGSB/SEPPE/MCTI.
Segundo Juliana, o Seminário DIFAN reuniu atores que não apenas fazem parte das soluções, mas que também dispõem dos instrumentos necessários para que as indústrias farmacêuticas nacionais continuem crescendo no Brasil e ampliando sua capacidade de entrega e de acesso à população.
Marcas próprias
O impacto das marcas próprias no mercado farmacêutico, foi o assunto da segunda mesa-redonda, conduzida por Alex Machado Campos, advogado especialista em Direito Sanitário e ex-diretor da Anvisa.
Também participaram do debate Eduardo Jorge Valadares Oliveira, secretário-adjunto da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Gustavo Pires, secretário-geral da Diretoria do Conselho Federal de Farmácia, Cibele Zanotta, presidente-executiva da ACESSA e Rafael Oliveira, presidente-executivo da ABCFarma.
O objetivo foi discutir os possíveis impactos das marcas próprias sobre a concorrência, o acesso, a autonomia do farmacêutico e a segurança sanitária.[/girfar]
Para Gustavo Pires é importante a autonomia profissional. Segundo ele, ela precisa estar baseada em alguns fatores. “Um deles é justamente o uso racional de medicamentos, algo expresso em lei e que constitui uma base fundamental da atuação e da autonomia do farmacêutico”, afirma.
Sobre a necessidade de preservar responsabilidades claras ao longo da cadeia farmacêutica, Cibele Zanotta destacou que precisamos sempre colocar o paciente e a segurança sanitária no centro da discussão. Partindo desse princípio, a indústria precisa analisar como manter o acesso e quais são os impactos das marcas próprias.
Crescimento sustentável
Inovação, ampliação da capacidade produtiva, financiamento e internacionalização da indústria farmacêutica brasileira foram os temas tratados na mesa seguinte, nomeada Crescimento sustentável – desenvolvendo a inovação e a produção nacional e moderada pelo presidente do Conselho de Administração da Prati-Donaduzzi e conselheiro da Alanac, Eder Maffissoni.
Também estavam presentes Uallace Moreira, secretário da SDIC/MDIC, Carla Reis, chefe do Departamento do Complexo Industrial e de Serviços de Saúde do BNDES, Julieta Palmeira, gerente da Finep, e Walker Lahmann, diretor-executivo da Eurofarma e diretor vice-presidente de Assuntos Políticos da Alanac.
O fortalecimento da indústria farmacêutica nacional passa pela ampliação da capacidade da indústria de produzir, inovar e reduzir vulnerabilidades externas. A política industrial tem papel fundamental para criar condições de competitividade e apoiar o desenvolvimento tecnológico do setor”, afirmou Uallace Moreira, secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
“A sustentabilidade do SUS depende da nossa capacidade de transformar conhecimento em tecnologias e medicamentos que respondam às necessidades da população. Precisamos fortalecer a articulação entre ciência, desenvolvimento tecnológico e produção para avançar em autonomia e soberania sanitária”, destacou Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Ministério da Saúde.
Maffissoni chamou atenção para a necessidade de preservar a capacidade produtiva já construída no país: “No Brasil, ainda temos deficiências relacionadas à inovação. A inovação incremental avança, enquanto a inovação radical permanece um desafio maior. Também falamos muito de internacionalização e da necessidade de nossas empresas ocuparem mercados globais. Mas não podemos esquecer aquilo que já construímos”, destaca.
Walker Lahmann também abordou o contraste entre a capacidade produtiva instalada e a dependência de insumos importados. “O Brasil produz internamente, em volume de unidades, grande parte dos medicamentos que consome. Estamos falando de uma capacidade produtiva que poucos países possuem”, comenta.
Ele ainda diz que o país tem um cenário muito interessante, ou seja, uma forte capacidade de produção de medicamentos acabados, combinada a uma dependência relevante de insumos e a um déficit expressivo na balança comercial.
Avanços e perspectivas no âmbito da Anvisa
A última mesa do dia foi voltada aos avanços e as perspectivas para a Anvisa e para o setor farmacêutico. A moderação foi conduzida por Leonora Coimbra, diretora de relações governamentais da Hypera Pharma e diretora vice-presidente de Assuntos Regulatórios da Alanac.
Participaram Daniela Marreco Cerqueira, diretora da DIRE2/Anvisa, Allan Nuno Alves de Souza, diretor-adjunto da DIRE5/Anvisa e Matheus Amâncio Vitorino de Paulo, secretário-executivo da CMED/Anvisa.
Na abertura, Leonora destacou o papel estratégico da autarquia. “Hoje, a indústria farmacêutica brasileira é uma potência e ocupa posição de liderança em diversos mercados. E a Anvisa conquistou reconhecimento internacional. A agência é a guardiã da saúde pública, da qualidade, da segurança e da eficácia dos produtos que chegam à população”.
Segundo ela, a qualidade da regulação e a previsibilidade das decisões são fatores decisivos para o acesso a tratamentos, a atração de investimentos e o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde.
Encerramento do III Seminário DIFAN
O encerramento contou com a participação de Henrique Uchio Tada, presidente-executivo da Alanac, Leandro Pinheiro Safatle, diretor-presidente da Anvisa e Olavo Noleto, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).
Safatle destacou a internacionalização como um dos próximos passos para o setor. “A indústria nacional se desenvolveu muito bem, tem um padrão de qualidade entre os melhores do mundo. Agora é o momento da internacionalização”, reforça.










