Análogos de GLP-1 representam mais de 10% da receita das farmácias
Com novas opções de genéricos e similares, participação no faturamento das redes listadas na Bolsa cresceu
por César Ferro em
Há alguns anos, os medicamentos análogos de GLP-1 vêm ganhando espaço no portfólio das redes de farmácias. Com o fim da patente da semaglutida, surgiu o temor de que, com a chegada de opções mais baratas, a atratividade da categoria cairia. Mas não é isso que os números mostram. As informações são da Forbes.
Segundo levantamento do BTG Pactual, as canetas emagrecedoras já respondem por 11% da receita das varejistas do setor listadas na Bolsa. A expectativa dos analistas é de continuidade do avanço.
O banco também estima que a receita com esses produtos alcance R$ 17 bilhões, alta de 70% em relação ao resultado do ano passado. “Há uma elasticidade positiva para o setor”, afirma o analista de varejo Luiz Guanais.
Quem mais vende e quem mais usa
De acordo com o relatório da instituição, a RD Saúde lidera entre as redes de farmácias listadas na Bolsa, com R$ 1,5 bilhão em receita proveniente da venda de canetas. A companhia, responsável pelas bandeiras Droga Raia e Drogasil, registra um valor mais de quatro vezes superior ao da segunda colocada. A Pague Menos movimentou R$ 356 milhões, enquanto a Panvel somou R$ 185 milhões.
Uma pesquisa encomendada pela Novo Nordisk à IQVIA traçou o perfil de pacientes em uso desses medicamentos. Segundo o estudo, 85% pertencem às classes A e B, 70% têm entre 25 e 44 anos, 63% são mulheres e 59% residem na região Sudeste.
Tirzepatida domina o mercado de análogos de GLP-1
Entre maio e julho, as vendas da categoria somaram R$ 4 bilhões, segundo dados da Close-Up International. Desse total, 68,3% corresponderam à tirzepatida, princípio ativo presente nos medicamentos Mounjaroe Zepbound, ambos da Lilly.
Em volume, a molécula também lidera, com 50,1% das 3,1 milhões de unidades vendidas. A diferença em relação à semaglutida, porém, é menor: o princípio ativo presente no Ozempic, da Novo Nordisk, respondeu por 31% do faturamento e 47,3% das unidades comercializadas.
O desempenho da tirzepatida também contribui para os resultados da farmacêutica norte-americana. Segundo a Lilly, as canetas lançadas recentemente respondem por mais de 90% da receita da companhia e alcançam quase 3 milhões de pacientes. Enquanto isso, novos concorrentes começam a ampliar sua presença.
Em junho, a EMS lançou a primeira caneta de semaglutida sintética produzida no Brasil. Para Christian Becker, gerente-geral da empresa de análise de dados no Brasil, o desempenho do produto está relacionado a uma combinação de fatores. “O posicionamento de preço agressivo, somado a uma estratégia de distribuição bem definida e a uma promoção médica bem-feita, permitiu não só a chegada do produto nas farmácias corretas, mas também o incremento de acesso pela prescrição de médicos que antes não atuavam com a molécula”, afirma. “Ainda há uma concentração desses produtos em poucas farmácias (12 mil das 95 mil no Brasil) devido a desafios de armazenamento, logística e custo”, completa.