fbpx
O maior canal de informação do setor

Após relatos em Bento, especialistas esclarecem efeitos colaterais da vacina AstraZeneca

184

Efeitos colaterais são comuns em vacinas contra diferentes tipos de enfermidade. Esse, inclusive, é um dos motivos que levam muitas pessoas a optarem por não se vacinar. Quando o assunto é a imunização contra a COVID-19, entretanto, o receio parece ter tomado proporções ainda maiores. Isso porque há diversos imunizantes já sendo aplicados na maioria dos países, que se diferem em relação à técnica e à tecnologia utilizada para sua fabricação. Além disso, a rapidez com que as vacinas foram fabricadas têm deixado a comunidade científica e a sociedade em geral em alerta para qualquer tipo de reação adversa.

Veja também: Índia bate o recorde de maior número diário de casos de Covid-19

Nas últimas semanas, por exemplo, alguns países da Europa suspenderam a aplicação da vacina da AstraZeneca, produzida em parceria com a Universidade de Oxford, pela suspeita de que o imunizante estaria causando episódios de trombose. Conforme explicado pela infectologista do Hospital Tacchini, Nicole Golin, a European Medicines Agency (EMA), agência regulatória do continente europeu (equivalente à ANVISA no Brasil), passou a investigar a possível relação. ‘Entre as 20 milhões de pessoas vacinadas na Europa, por exemplo, os especialistas receberam 469 notificações de trombose. A partir disso e dos estudos conduzidos anteriormente, eles concluíram que o número de quadros de trombose entre os vacinados não era maior do que na população em geral. Com isso, o comitê de segurança concluiu que não há evidências de uma relação direta do imunizante ou de algum lote específico com aumento no risco geral desse problema’, esclarece.

Siga nosso Instagram

Mesmo com a conclusão de que a AstraZeneca não seria responsável por essas reações, muitas pessoas seguem temerosas em relação a esse imunizante pelos efeitos colaterais ‘esperados’ que ele gera.

Na semana passada, uma moradora de Bento Gonçalves procurou o jornal SERRANOSSA para relatar os sintomas pós-vacina. ‘Tive febre, mal-estar, calafrios e dor de cabeça. Outras três pessoas que conversei, que também receberam a AstraZeneca, tiveram reações parecidas’, relata. ‘A sensação foi horrível. E agora estou com medo da segunda dose’, continua a moradora, que tem 63 anos e foi vacinada no drive-thru da prefeitura de Bento, na Fundaparque.

Conforme a coordenadora do setor de imunizações da prefeitura de Bento, Luiza Do Rosário, todas as informações repassadas à secretaria de Saúde dizem respeito a reações adversas esperadas – que se enquadram naquelas descritas pela moradora. ‘Nenhum caso com reação grave foi notificado até o momento. Tivemos dois pacientes que já procuraram a UPA com alguns sintomas, mas serão acompanhados’, informa. Ainda segundo Luiza, as reações são esperadas até 72h após a aplicação da vacina. ‘Passando das 72h aí sim a gente indica uma consulta médica, para ver se é mesmo reação da vacina’, complementa.

Em relação à CoronaVac, o número de relatos de efeitos colaterais é menor. Conforme o setor de imunizações, no caso desse imunizante é comum apenas dor local e vermelhidão.

Por que há reações diferentes entre as vacinas?

A Infectologista Nicole Golin explica que a CoronaVac é feita a partir do vírus inativado. ‘Ele é cultivado e multiplicado numa cultura de células e depois inativado. Ou seja, o corpo recebe a vacina com o vírus (já inativado) e começa a gerar os anticorpos necessários no combate da doença. As células que dão início à resposta imune encontram os vírus inativados e os capturam, ativando as defesas do organismo, que passam a produzir os anticorpos necessários, impedindo que o vírus infecte células saudáveis’, detalha.

Por outro lado, a vacina produzida pela AstraZeneca utiliza uma tecnologia chamada ‘vetor viral não replicante’, na qual é utilizado um vírus inofensivo, como é o caso do adenovírus (causador do resfriado comum), que não tem capacidade de se replicar no organismo humano ou prejudicar a saúde. Esse é o motivo pelo qual muitas pessoas têm apresentado sintomas comuns como febre, dor no corpo e mal-estar. ‘Após a vacinação, o adenovírus penetra em algumas poucas células do corpo humano. Essas células utilizam o gene para produzir a proteína Spike (espícula, ou picos, na superfície do vírus). O sistema imunológico então reconhece isso como estranho e, em resposta, produz anticorpos e células T, que idealmente protegem contra a infecção com o Coronavírus Sars-CoV-2’, explica a infectologista.

Ainda conforme Nicole, os efeitos colaterais gerados após a vacinação podem ser a prova de que o sistema imunológico está funcionando como deveria – ‘embora as vacinas sejam muito eficazes mesmo sem efeitos colaterais’, pontua.

Segunda dose da AstraZeneca também provoca reações?

A coordenadora de imunizações Luiza Do Rosário ressalta que, até o momento, Bento teve cerca de quatro drive-thrus da vacinação em que a vacina da AstraZeneca foi aplicada na população. Além disso, os profissionais da saúde que receberam esse imunizante ainda não completaram o período necessário para aplicação da segunda dose. ‘Não temos nenhum dos vacinados que tenham recebido a segunda dose da AstraZeneca. A aplicação vai começar no fim de abril, início de maio, porque é necessário um intervalo de 90 dias’, comenta. Mesmo assim, ela acredita que os sintomas devam ser mais leves, levando em consideração que a pessoa já está com a primeira dose.

‘A gente orienta sempre que a segunda dose é muito importante, porque é cientificamente comprovado que, além de proteger contra o Coronavírus, ela vai prolongar essa proteção. Então a gente fica menos resguardado ao Coronavírus se não fizer esse reforço’, ressalta. ‘Inclusive nossos pacientes que não estão voltando para fazer a segunda dose de CoronaVac, a gente faz busca ativa, para que eles realmente possam ter esse esquema completo da vacinação’, continua.

A infectologista Nicole Golin complementa a fala de Luiza, afirmando que os benefícios das vacinas superam, ‘em muito’, os possíveis efeitos colaterais. ‘Até o momento, a vacinação em massa parece realmente ser a única forma realista de sairmos dessa pandemia que já matou quase meio milhão de brasileiros’, finaliza.

Fonte: Serra Nossa

Cadastre-se para receber os conteúdos também no WhatsApp  e no Telegram

Jornalismo de qualidade e independente O Panorama Farmacêutico tem o compromisso de disseminar notícias de relevância e credibilidade. Nossos conteúdos são abertos a todos mediante um cadastro gratuito, porque entendemos que a atualização de conhecimentos é uma necessidade de todos os profissionais ligados ao setor. Praticamos um jornalismo independente e nossas receitas são originárias, única e exclusivamente, do apoio dos anunciantes e parceiros. Obrigado por nos prestigiar!
Você pode gostar também

Esse site utiliza cookies para aprimorar sua experiência de navegação. Mas você pode optar por recusar o acesso. Aceitar Consulte mais informação