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Argentinos têm de escolher entre comprar comida ou medicamentos

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medicamentos
Foto: Canva

Com a inflação a 276% anuais e os salários congelados, os argentinos precisam fazer uma escolha sensível: comprar comida ou medicamentos. Segundo reportagem do estadão e da AFP, está sendo  impossível comprar os dois, e o resultado é uma queda de mais de 42% na compra de remédios nos primeiros dois meses do ano.

De acordo com a Confederação Argentina de Médias Empresas (Came), fazia tempo que o setor de farmácia não sofria uma queda tão grande nas vendas. Foram vendidos 42,4% menos medicamentos em janeiro e fevereiro deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Já a variação interanual do mês de fevereiro foi de 39%.

E a culpa não é da falta de produtos, um problema que a Argentina vivenciou ano passado quando a inflação disparou e, na tentativa do governo anterior de conter a fuga de dólares, começaram a faltar produtos importados. De acordo com o informe, a queda foi por baixa procura mesmo, fazendo farmácias cogitarem abaixar os preços na intenção de atrair clientes.

Aumento dos medicamentos

Segundo o Centro de Profissionais Farmacêuticos Argentinos (Ceprofar), os medicamentos aumentaram 112% de novembro a janeiro, período que em Javier Milei dividiu com Alberto Fernández a presidência do país. Nesse mesmo período a inflação foi de 70%, observa o centro. Somente em janeiro foram comprados 10,8 milhões de medicamentos a menos em comparação com o mesmo período do ano passado.

“Entre comer e comprar remédio, as pessoas têm escolhido comer”, observa a farmacêutica Marcela López por trás do balcão de uma farmácia em Buenos Aires. Segundo ela, quem não pode pagar um antibiótico, cujo aumento foi acima de 100%, tenta lidar com a dor levando ibuprofeno, cujo aumento foi de 95% nos últimos meses, de acordo com levantamento da Ceprofar.

“As pessoas estão comprando unidades menores dos remédios e essa é uma situação dramática que a estatística não mede”, explica Ruben Sajem, diretor do Ceprofar à AFP. “Por exemplo, quem toma medicação diária para hipertensão, compra um blister de 10 comprimidos e acredita que tomando dia sim dia não está tudo bem. Na verdade isso não funciona, mais cedo ou mais tarde a saúde vai piorar e o gasto acabará sendo maior, inclusive para o sistema de saúde”. 

Faltam remédios gratuitos

Aposentados e pensionistas, bem como pessoas com doenças graves que comprovem baixa renda, podem receber medicações gratuitas por meio de programas do governo. Mas, desde que assumiu a presidência, o governo Milei promoveu uma auditoria do programa que está vinculado ao Ministério de Capital Humano e atende pacientes com câncer, epilepsia e HIV, entre outras enfermidades.

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