O maior canal de informação do setor

Atrasado nas negociações, Brasil ainda não fechou compra de vacinas para 2022

128

Vacinas – Perto do fim do ano e com perspectiva de que seja necessário vacinar idosos com a terceira dose já a partir de setembro, ainda não há definição nas negociações de vacinas entre o governo federal e fabricantes para 2022. Até o momento, segundo gestores, o Ministério da Saúde deu informações genéricas sobre o tema aos estados e não cravou o cenário de disponibilidade de imunizantes para o ano que vem. Segundo especialistas, um dos motivos para indefinição é a falta de evidências a respeito de como deve ser ministrada a terceira dose da vacinação, incluindo público-alvo e o prazo de intervalo.

A pasta se limitou a responder que ‘mantém diálogo com os laboratórios e segue em negociação’. Para a médica e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabella Ballalai, o ministério deve observar o que vem sendo feito ao redor do mundo para definir o quanto antes a estratégia:

‘Nesse planejamento temos que incluir os adolescentes, é difícil saber exatamente se todo o país vai conseguir vacinar adolescentes. É certo que vamos precisar fazer terceira dose de alguns grupos. Isso tem que estar organizado o mais cedo possível para não ficar numa situação em que não tenha vacina’.

Outros países começaram a se mexer para ter alguma garantia. De acordo com um levantamento realizado pela consultoria britânica de análise de dados Airfinity, diversas nações já fecharam acordos neste ano mirando entregas para 2022. São elas: Israel, Reino Unido, Canadá, Suíça, Austrália, Indonésia, Estados Unidos, Argentina, Japão, Taiwan e também a União Europeia. Alguns deles vão além e chegam a garantir doses para 2023 e até 2025.

Ao anunciar o acordo com a farmacêutica Moderna, em junho deste ano, a Comissão Europeia esclareceu que as 150 milhões de novas doses a serem recebidas no ano que vem poderiam ser utilizadas, de maneira adaptada, contra novas variantes do coronavírus, para imunização pediátrica ou, ainda, como aplicação de reforço. A Pfizer, por sua vez, ao anunciar um aditivo de 200 milhões de aplicações no contrato com os Estados Unidos – 90 milhões destas chegam em 2022, a maior parte no final de 2021- apontou que o país poderá receber formulações atualizadas da vacina, por exemplo, contra novas variantes, se disponíveis e autorizadas.

Em relação à CoronaVac, o Instituto Butantan explica que ainda não há negociações para 2022. Os esforços estão voltados para cumprir o contrato vigente, cujo término foi adiantado para o final do próximo mês. Só então poderá iniciar negociações com novos compradores, como já é aventado por estados, a exemplo do Ceará. Segundo o Butantan, não há tratativas com o Ministério da Saúde sobre a ButanVac, a nova vacina em estudo pela instituição, que está em fase inicial de ensaios clínicos, com voluntários, e após apresentar resultados terá que receber autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso. A CoronaVac é hoje responsável por 34,6% das doses aplicadas no país.

A Fiocruz afirmou que tem capacidade para oferecer 180 milhões de doses no ano que vem. De acordo com a fundação, toda a capacidade é colocada à disposição do Programa Nacional de Imunização (PNI). No caso de produção excedente, caso o Sistema Único de Saúde (SUS) já tenha sido plenamente atendido, a instituição afirma que pode avaliar a exportação por meio de organismos internacionais, como a Organização Pan-americana de Saúde (Opas).

A falta de clareza sobre a disponibilidade de doses para o ano que vem tem preocupado gestores em relação à continuidade da imunização em 2022. De acordo com especialistas, no entanto, o cenário de aquisições dificilmente será definido antes que a pasta determine o público-alvo da terceira dose, o intervalo em que será feita a aplicação, entre outras variáveis. Em audiência, ontem, na Câmara, a secretária de enfrentamento à Covid-19, Rosana Melo, afirmou que a pasta estuda a possibilidade de imunizar 35 milhões de pessoas com a terceira dose e que o país tem condições de distribuir imunizantes para tal. Segundo ela, a definição sobre o tema deve ocorrer nesta semana.

‘Primeiro, precisamos definir a política para definir qual vai ser a aquisição. Quem vai ser vacinado? Temos que analisar qual a estratégia para ver se vai ser necessário comprar mais vacina ou não’, afirma Carla Domingues, que esteve à frente do PNI por oito anos (2011-2019). ‘O nosso problema não é a questão de ter vacina, e sim que estratégia será adotada’.

Diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações e membro da Câmara Técnica do PNI, Renato Kfouri afirma que o tema já está em discussão, mas ainda não há uma definição:

‘Estamos discutindo no ministério, porque não tem uma clareza de quem deve tomar reforço, quando, com que intervalo, que tipo de dose de vacina é necessária para cada grupo. Falta dado científico para tomar a decisão. Não dá para saber o que comprar. Claro que em algum momento vai ter que ser feito algum contrato ou compra, sob risco, sem dúvida, porque não teremos todas as evidências até o final do ano’.

Além dos dois fabricantes nacionais, a reportagem procurou os laboratórios fabricantes de vacinas. Enquanto a Pfizer informou que não comenta negociações com o governo, a Janssen disse que não tem informações sobre negociações para 2022. A AstraZeneca informou que a ideia é que a Fiocruz seja autossuficiente com a transferência de tecnologia. Possíveis negociações para 2022, segundo a farmacêutica, ficariam a cargo da fundação. Instituto Serum, Sinovac Biotech e Moderna não responderam até a conclusão desta edição.

TERCEIRA DOSE – Ontem (25), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou que a terceira dose da vacina contra o novo coronavírus começará a ser aplicada em idosos entre 70 e 80 anos e em imunossuprimidos a partir do dia 15 de setembro.

Todos os imunossuprimidos que já tomaram a segunda dose da vacina há 21 dias poderão tomar o reforço a partir de meados de setembro.

No caso dos idosos, eles devem ter tomado a segunda dose da vacina há mais de seis meses.

A vacina usada para a dose de reforço será a da Pfizer.

“Nos reunimos ontem com a Opas [Organização Pan-Americana de Saúde] e com o comitê técnico que assessora a imunização e tomamos a decisão”, afirmou.

A data foi escolhida porque, até lá, toda a população acima de 18 anos no Brasil já terá sido imunizada com ao menos uma dose.

Uma outra novidade: a partir do mesmo dia 15, começará a redução do intervalo entre as vacinas da Pfizer e da AstraZeneca, de 12 para oito semanas, como acontece no Reino Unido.

Queiroga diz que a decisão foi tomada diante da possibilidade de disseminação da variante Delta do coronavírus no Brasil.

Estudos já mostram que a primeira dose das vacinas, no caso da Delta, têm eficácia reduzida e não conseguem evitar boa parte das infecções.

Já com duas doses a proteção é maior.

Antecipando a aplicação da segunda dose, portanto, o Brasil poderia frear as contaminações, mantendo a curva de queda no número de óbitos e de casos verificada até agora.

A decisão sobre aplicação de dose de reforço na totalidade da população só será tomada depois da conclusão de um estudo que o Ministério da Saúde está fazendo em parceria com universidades.

Fonte: Diário de Cuiabá

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/cotacao-eletronica-aproxima-canal-farma-das-concorrencias-publicas/

Você pode gostar também

Esse site utiliza cookies para aprimorar sua experiência de navegação. Mas você pode optar por recusar o acesso. Aceitar Consulte mais informação