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Brasil completa 6 meses de vacinação com 15,7% da população completamente imunizada; compare a situação com EUA, Reino Unido, China e Israel

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O Brasil completa neste sábado (17), seis meses do início da vacinação contra a Covid-19 com 15,7% da sua população completamente imunizada com as duas doses da vacina ou com a dose única.

O país aplicou a primeira dose da CoronaVac em uma enfermeira de São Paulo logo após a aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para o uso emergencial da vacina em janeiro.

Desde então, mais de 120 milhões de doses desta e de outras vacinas contra a Covid-19 foram aplicadas nos braços dos brasileiros em meio ano de campanha nacional de imunização.

Nesta reportagem você vai ver como está a situação de países como os Estados Unidos, Reino Unido, China e Israel, e a relação das vacinas com as quedas nas mortes por Covid-19.

Comparação entre os países

População Casos de Covid nas últimas 24h Mortes por Covid nas últimas 24h Vacinas aplicadas % da população protegida

Brasil 211 milhões 44 mil 1,4 mil 121 milhões 15,7%

Estados Unidos 328 milhões 79 mil 417 336 milhões 48%

Reino Unido 66 milhões 51 mil 49 81 milhões 52,3%

Israel 9 milhões 830 1 10 milhões 60,3%

China 1,4 bilhão 30 0 1,4 bilhão 15%

Fonte: OurWorldInData, Universidade Johns Hopkins e Consórcio dos Veículos de Imprensa

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Os países escolhidos para esta comparação foram os primeiros a iniciar uma campanha de vacinação em massa, todos dentro da mesma semana, entre 13 e 20 de dezembro de 2020. O Brasil começou cerca de um mês depois, em 17 de janeiro.

Controle em 6 meses

Entre os países analisados, apenas o Brasil manteve uma tendência de alta do número de mortes, proporcional à sua população, durante estes seis meses de campanha.

As curvas de mortes na China e em Israel, por exemplo, se mantiveram estáveis e baixas – no país asiático, ela ficou em zero durante todo o período.

A evolução das mortes no Reino Unido começa a desacelerar por volta do 100º dia de vacinação (veja no gráfico abaixo), já nos EUA, elas já vinham diminuindo, mas ainda com leve alta.

Atrasos nas entregas para o Brasil

O Brasil ainda precisa aplicar 200 milhões de doses para imunizar toda a população com mais de 18 anos contra a Covid-19 – parcela que abrange cerca de 160 milhões de habitantes do país – segundo estimativa feita por pesquisadores da USP e UFRJ.

Segundo o Ministério da Saúde, esta meta poderá ser batida até o fim do ano – e para conseguir cumpri-la, os estados e municípios se baseiam na projeção de entrega de doses pelo governo federal, que nem sempre se confirma.

Em abril, o cronograma do Ministério da Saúde previa mais de 52 milhões de doses em junho. Entre maio e junho, essa projeção foi revisada cinco vezes. No final de maio a expectativa já tinha caído para 43 milhões de doses.

No fim de junho, total repassado a estados e municípios foi de 39.967.810 – 12,2 milhões de doses a menos. A previsão de entregas para julho é de cerca de 40 milhões, segundo o Ministério da Saúde, que prometeu 662 milhões de doses até dezembro.

Só que nesta contagem estão cerca de 20 milhões de doses da Covaxin, que teve o contrato suspenso por suspeitas de irregularidades e 10 milhões da Sputnik V, que só pode ser usada – por decisão da Anvisa – para a vacinação de 1% da população de seis estados do Nordeste.

Israel: lockdown e vacinação recorde

Ao menos 60% da população israelense está completamente vacinada contra a Covid-19, segundo dados do Our World in Data, monitoramento ligado à Universidade de Oxford. O país aplica apenas a vacina da Pfizer.

Israel combinou os fatores lockdown + vacinação rápida quase simultaneamente:

Começou a campanha de vacinação em 20 de dezembro

No dia 27, decretou (o terceiro) lockdown, em meio a uma subida nos casos

No dia 1º de janeiro, 1 milhão dos cerca de 9 milhões de israelenses já haviam sido vacinados.

Na semana de 17 a 25 de janeiro, houve um pico de casos e mortes confirmados.

Começou a campanha de vacinação em 20 de dezembro

No dia 27, decretou (o terceiro) lockdown, em meio a uma subida nos casos

No dia 1º de janeiro, 1 milhão dos cerca de 9 milhões de israelenses já haviam sido vacinados.

Na semana de 17 a 25 de janeiro, houve um pico de casos e mortes confirmados.

Entre março e junho, o país passou a registrar uma queda acentuada nos novos casos diários de Covid-19 – mas com a chegada da variante delta, eles voltaram a subir (em menor escala) nas últimas semanas.

A vacinação é capaz de conter casos médios e graves da infecção pela variante delta do coronavírus, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mas apenas quando as duas doses foram aplicadas.

EUA com queda acelerada

As mortes nos Estados Unidos estão em queda desde fevereiro, com uma forte campanha de vacinação puxada pelo governo de Joe Biden.

Em 1º de março, cerca de dois meses e meio após o início da vacinação, os EUA já tinham cerca de 7,6% de toda a sua população adulta vacinada, segundo o levantamento do Our World in Data. Aos seis meses de vacinação, esse número já chegava a 42% da população com as 2 doses da vacina.

Os casos e mortes nos EUA praticamente só diminuem até julho (veja no gráfico abaixo) – problema agora é convencer parte da população que se recusa a vacinar, o que fez com que os EUA não cumprissem a meta dos 70% vacinados até o dia da independência (em 4 de julho).

Reino Unido: controle mesmo com a delta

No Reino Unido, o país conseguiu – com a vacinação e a ajuda de seguidos lockdowns nacionais – controlar o avanço da pandemia, mesmo sob a ameaça da variante delta, dominante no país.

No começo deste ano, o país teve picos de mortes acima de 1,2 mil vítimas a cada 24 horas, mas mantém sua média abaixo dos 20 óbitos diários por Covid-19 desde o final de abril.

A cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, alertou no mês passado que a variante delta tem se tornado a cepa dominante em todo o mundo.

Segundo a OMS, o alto ritmo de transmissão desta variante identificada tinha um papel importante na sua predominância, mas que as vacinas continuavam eficazes no combate ao vírus.

China: controle mesmo sem vacina

Apesar da plataforma Our World in Data contabilizar a primeira dose aplicada na China apenas em 20 de dezembro de 2020, o país já vinha controlando o avanço da Covid-19 desde em meados do ano passado – quando ainda não tinha vacinas disponíveis. O país conseguiu isso com a imposição de medidas duras de isolamento e rastreio de contatos.

Mesmo com o controle da pandemia, a China – que também é o maior fabricante e exportador de vacinas para todo o mundo – foi quem mais aplicou, em números absolutos, vacinas em sua população: foram mais de 1,4 bilhão de doses injetadas (o governo não divulga, especificamente, quantas pessoas foram completamente imunizadas com as duas doses necessárias).

Fonte: G1.Globo

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