Cânhamo industrial pode gerar R$ 5,76 bilhões
Projeção do Instituto Escolhas depende de avanços regulatórios, segurança jurídica e investimentos para estruturação da cadeia produtiva
por Adriana Bruno em e atualizado em
O Brasil pode movimentar R$ 5,76 bilhões em receitas líquidas e gerar mais de 14 mil empregos com o desenvolvimento do mercado de cânhamo industrial até 2030. A projeção do Instituto Escolhas, porém, depende de avanços regulatórios que permitam estruturar a cadeia produtiva e atrair investimentos.
Para Larissa Uchida, CEO da ExpoCannabis Brasil, a ausência de regras específicas para o cultivo é o principal entrave. A executiva defende critérios claros para produção, fiscalização e definição das variedades autorizadas.
“A indefinição sobre o limite de THC é um problema central, porque o investidor não consegue calcular risco. Quem monta uma fazenda ou uma fábrica precisa saber que a cultivar escolhida hoje continuará dentro da lei amanhã”, destaca.
Regulamentação e pesquisa
A definição dos limites de THC deve considerar as condições agrícolas brasileiras. Segundo Larissa, clima, luminosidade e características das cultivares influenciam a concentração do composto. Por isso, a regulamentação precisa ser orientada por pesquisas nacionais, com participação da Embrapa, e considerar experiências de países como Argentina, Uruguai e África do Sul.
A executiva também defende a diferenciação entre as finalidades industrial e medicinal. “O THC tem potencial medicinal similar ao do CBD, mas nem 0,3% nem 1% atendem às necessidades dos pacientes”, ressalta.
Indústria e agregação de valor
Entre as oportunidades, a consultora destaca a fibra e o grão como matérias-primas para diferentes segmentos. Construção civil, indústria têxtil, alimentos e nutrição estão entre os mercados promissores. A agregação de valor depende da transformação da produção no país. “Quando o país transforma a fibra em tecido, a semente em alimento e o resíduo em material de construção, o ganho fica no Brasil, em empregos, tecnologia e marca”, explica.
Para viabilizar o mercado, a CEO aponta como prioridades a regulamentação própria, o incentivo à pesquisa, o desenvolvimento de sementes adaptadas, linhas de crédito e maior integração entre ciência, setor produtivo e poder público.
A demora, entretanto, pode comprometer a competitividade brasileira. “Enquanto o país espera, outros mercados já consolidam projetos que incentivam a diversidade do mix de produtos e marcas”, conclui.