Novos dados da Close-Up International corroboram a trajetória positiva do mercado de cannabis medicinal no Brasil. Recentemente, durante o 5º Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal, Maria Eugenia Riscala, CEO da Kaya Mind revelou que o segmento chegou perto de movimentar R$ 1 bi no país em 2025, totalizando R$ 971 milhões em faturamento. Segundo ela, o cenário indica estabilidade marcada pela queda nos preços médios, além da expansão do número de pacientes.
Para Kali Nardino, diretor de crescimento estratégico para Pharma & HealthTech da Cann Doc, o mercado brasileiro de Cannabis Medicinal alcança um dos momentos mais relevantes de sua história. O que há pouco tempo era visto apenas como um nicho restrito, concentrado principalmente em produtos à base de CBD isolado, hoje já se consolida como uma categoria estratégica dentro do varejo farmacêutico, ampliando indicações, incorporando novas tecnologias e atraindo cada vez mais prescritores e pacientes. “Os dados mais recentes demonstram que a Cannabis deixou de ser uma promessa para se tornar uma realidade econômica e terapêutica no país”, diz.
Desempenho além do mercado
Apoiado em dados da Close-Up International, Nardino conta que embora os produtos à base de Cannabis Medicinal tenham apresentado crescimento de 14,5%, um desempenho superior ao observado em categorias como anticonvulsivantes (+7,8%), analgésicos opioides para dor (+7,7%) e acima de outras importantes áreas terapêuticas, o seu potencial vai muito além da comparação direta entre as taxas de crescimento.
“Isso porque os produtos de cannabis possuem aplicações clínicas em diversas condições presentes justamente nesses mercados, incluindo epilepsia, dor crônica, ansiedade, distúrbios do sono e alguns sintomas relacionados à saúde mental”, comenta.
Para ele, não se trata de substituir integralmente os tratamentos convencionais por prescrições de CBD, mas de conquistar espaço como terapia complementar ou adjuvante em uma parcela desses pacientes. Ainda segundo Nardino, o potencial de expansão da categoria está diretamente relacionado à ampliação de sua participação dentro dessas indicações terapêuticas, à medida que crescem as evidências científicas, a experiência dos prescritores e o acesso aos tratamentos.
“Entre essas áreas, uma que merece destaque especial é o mercado de produtos para o combate da dor. Além dos produtos à base de Cannabis, observa-se o avanço de terapias que atuam de forma complementar sobre o Sistema Endocanabinoide (SEC)”, pontua.
Evolução global
Ao analisar a evolução global do setor, considerando todos os canais monitorados (farmácias, hospitais e outros), os números são ainda mais expressivos. Segundo Nardino, as moléculas derivadas de canabinoides apresentam um crescimento anual composto (CAGR) de 42,2% em valor, com avanço de 20,3% no último período analisado, e consolidando uma trajetória contínua de expansão.
Outro aspecto que evidencia a maturidade do segmento é a transformação do portfólio disponível no varejo. Há pouquíssimos anos, o mercado era amplamente dominado por produtos de CBD isolado. “Atualmente, embora essa categoria ainda represente a fatia majoritária de 61,9% do faturamento nas farmácias e drogarias, os extratos de cannabis já respondem por 38,1% do mercado, ganhando espaço de forma consistente”, revela.
Dinamismo dos produtos contribui com a expansão da categoria
Mais importante do que a participação atual é o dinamismo desses produtos na expansão da categoria. Segundo dados da Close-Up, os extratos apresentaram crescimento de 20,5%, significativamente acima dos 11,1% observados para os produtos isolados. Na prática, os extratos tornaram-se o principal motor de crescimento do mercado, tendo injetado R$ 17,7 milhões em valor incremental no último ano, superando a contribuição de R$ 16,9 milhões dos isolados, mesmo com uma participação relativa menor nas vendas.
Expansão da base médica é outro pilar de crescimento
O crescimento da categoria também é sustentado pela sólida expansão da base médica. O número de médicos prescritores ativos saltou de 54.258 para 69.794 no último período, um aumento expressivo de 28,6% impulsionado pelo avanço das evidências científicas e pela maior disponibilidade de produtos regulamentados nas farmácias e drogarias. “Um dado crucial revela que 62% desses profissionais são novos prescritores que iniciaram sua jornada no último ano, demonstrando que a classe médica está apostando na categoria”, destaca Nardino.
Ainda segundo ele, neurologistas (27,4%), psiquiatras (25,4%), clínicos gerais (9,1%) e pediatras (7,4%) lideram a importância nas prescrições, mas a Cannabis Medicinal já ultrapassa essas fronteiras e passa a ser considerada em diversas outras áreas terapêuticas.
