A Expo Cannabis Brasil 2026 chega à quarta edição consolidada como uma das principais plataformas de negócios da cadeia da cannabis na América Latina.
Durante o lançamento oficial da feira, realizado nesta terça-feira (22), no Consulado-Geral do Uruguai em São Paulo, organizadores e especialistas destacaram o amadurecimento do mercado brasileiro, os avanços regulatórios e o potencial da planta para impulsionar setores como saúde, indústria farmacêutica, agronegócio e bioeconomia.
Marcada para os dias 20, 21 e 22 de novembro, na São Paulo Expo, a feira deve receber entre 47 mil e 50 mil visitantes, mais que o dobro da primeira edição, que reuniu cerca de 21 mil pessoas. Antes da abertura será realizado o Cannabis Business Hub, encontro voltado a empresários e investidores.
Segundo Larissa Uchida, CEO da Expo Cannabis Brasil, o crescimento do evento acompanha a evolução do setor. “Na primeira edição recebemos cerca de 21 mil visitantes. Para 2026 esperamos entre 47 mil e 50 mil pessoas. O crescimento do evento acompanha o crescimento da própria indústria”, afirma.
Com o tema “Para Além da Planta”, a programação amplia o foco em educação e negócios, passando de três para cinco espaços de conteúdo, entre eles o Fórum Internacional, o Congresso Científico Dr. Elisaldo Carlini, workshops, Arena do Conhecimento e um Lounge Literário.
“A cannabis é muito mais do que uma planta. Ela representa uma oportunidade de transformar diversas indústrias e abrir novos horizontes para o Brasil”, destaca Larissa.
Mercado supera 1 milhão de pacientes
Durante o evento, o CEO da Kaya Mind, Thiago Cardoso, revelou que o Brasil ultrapassou pela primeira vez a marca de 1 milhão de pacientes em tratamento com cannabis medicinal. “Atualmente são aproximadamente 1,002 milhão de pacientes utilizando esse tipo de tratamento”, afirma.
Apesar do avanço, o executivo lembra que o potencial ainda é muito superior. “Segundo estudo da Kaya Mind, o Brasil possui potencial para alcançar cerca de 6,9 milhões de pacientes utilizando medicamentos à base de cannabis.”
Cardoso também destacou o impacto das mudanças regulatórias promovidas pela Anvisa no início do ano. “Observamos um crescimento muito expressivo no interesse de empresas, investidores e pacientes”, comenta.
Segundo ele, a expectativa de que o mercado privado alcance R$ 1 bilhão em vendas deverá se confirmar ainda este ano.
O executivo acrescenta que a autorização para cultivo com limite de 0,3% de THC representa apenas o primeiro passo para o desenvolvimento da cadeia produtiva nacional.
“A autorização está diretamente relacionada ao fornecimento de matéria-prima para a indústria farmacêutica. Mas ainda precisamos responder a diversas perguntas. O que será feito com o caule da planta? Com as fibras?”, questiona.
Cooperação regional e pesquisa
A cônsul-geral do Uruguai em São Paulo, María Noel Reyes, ressaltou a experiência uruguaia após mais de uma década de regulamentação da cannabis e apresentou o país como parceiro estratégico para investimentos, pesquisa e exportações voltadas ao segmento medicinal.
Já Mercedes Ponce de León, cofundadora da Latinnabis e da Expo Cannabis Uruguay, afirmou que o Brasil tornou-se o principal motor de crescimento do mercado latino-americano, enquanto o Uruguai reúne experiência regulatória, capacidade produtiva e know-how para apoiar a expansão regional.
Representando a Embrapa, a pesquisadora Daniela Bittencourt informou que a instituição estruturou um programa de pesquisas para os próximos 12 anos e destacou que as novas normas da Anvisa criam condições para o desenvolvimento de uma cadeia produtiva nacional baseada em inovação, sustentabilidade e rastreabilidade.
O médico-veterinário Bruno Perozzo também destacou o avanço da endocanabinologia veterinária no Brasil após o reconhecimento da especialidade pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária e anunciou uma programação científica ampliada para esse segmento durante a Expo Cannabis Brasil 2026.
