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Com fábrica de vacinas e dinheiro em caixa, Minas fica de fora da produção de imunizantes contra a Covid-19

Em meio à explosão de novos casos de Covid-19 no Brasil, Minas Gerais segue de fora da corrida pela fabricação de vacinas primordiais para conter a pandemia. A exemplo da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, e do Instituto Butantan, em São Paulo, o estado tem um laboratório público, a Fundação Ezequiel Dias (Funed), que tem duas fábricas para produção de medicamentos biológicos injetáveis. Mas o governo mineiro nem sequer tem previsão para assinar convênios com farmacêuticas estrangeiras.

Apesar da crise financeira que assola o estado há anos, falta de dinheiro não é a justificativa. De acordo com o portal da Transparência do governo de Minas Gerais, a receita da Funed no ano passado foi de R$ 1,5 bilhão. Os gastos, mesmo com a pandemia, chegaram a R$ 849,9 milhões.

Na última semana, o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), afirmou que a instituição tem a intenção de produzir vacinas no futuro, mas não detalhou como será o processo. “Temos a Funed, que opera nos mesmos moldes do Butantan e da Fiocruz, e nós já temos aí entendimentos com desenvolvedores de vacina para que ela no futuro possa vir a ser produzida”.

A Fundação Ezequiel Dias já utiliza uma de suas fábricas para o envase da vacina contra a Meningite C, através de parceria com a suíça GSK, e está em processo de transferência de tecnologia para produção integral do imunizante. A instituição não informou, no entanto, o que é feito na outra fábrica de medicamentos injetáveis.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Virologia e pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais, Flávio Fonseca, a instituição tem todas as condições para produzir vacinas contra a Covid-19.

“A Funed tem a condição técnica até da infraestrutura e do know-how, tanto que já produz a vacina da meningocefalite e é a principal fornecedora nacional. Por que não foi incluída como possibilidade? Por falta de visão dos gestores, dos governantes, que poderiam ter incluído a possibilidade de produção. Mas o próprio governo central não foi célere na busca deste tipo de acordo. A principal solução vacinal do país foi buscada por um governo estadual. O governo estadual de Minas não tomou nenhuma iniciativa para buscar esta imunização”, disse.

“A Funed tem a condição técnica até da infraestrutura e do know-how, tanto que já produz a vacina da meningocefalite e é a principal fornecedora nacional. Por que não foi incluída como possibilidade? Por falta de visão dos gestores, dos governantes, que poderiam ter incluído a possibilidade de produção. Mas o próprio governo central não foi célere na busca deste tipo de acordo. A principal solução vacinal do país foi buscada por um governo estadual. O governo estadual de Minas não tomou nenhuma iniciativa para buscar esta imunização”, disse.

A Fundação Ezequiel Dias informou que, mesmo que já tenha fábrica para produção de vacinas, será necessário fazer adequações de infraestrutura fabril para produzir qualquer tipo de imunizante contra a Covid-19, que vai depender da tecnologia usada na vacina escolhida para a produção.

Questionada pelo G1 se já foi dado algum passo para o estado também fabricar o fármaco, a Funed disse que “tem realizado contatos com empresas do mundo todo, desde o início do desenvolvimento de imunizantes”, mas as equipes técnicas ainda não chegaram a um consenso quanto à melhor tecnologia a ser adotada. A instituição, no entanto, não disse com quantas, nem com quais farmacêuticas internacionais chegou a fazer contato.

Ainda segundo a Funed, as vacinas atualmente liberadas pela Anvisa, Coronavac e Astrazeneca, são consideradas de primeira geração, para atendimento às demandas imediatas da pandemia. A intenção da instituição é começar a produzir as vacinas de 2ª e 3ª gerações.

“Embora sejam desenvolvidas de forma menos imediata, possuem o potencial de serem mais específicas, com atividade maior e são aplicáveis a diferentes perfis de populações”, justificou a Funed, em nota.

Queda na produção, mesmo com aumento da receita

Até fabricar a vacina contra a meningite, a Fundação Ezequiel Dias era referência na produção de medicamentos, alcançando o terceiro lugar nacional. Chegaram a ser fabricadas 32 linhas de remédios com 40 apresentações diferentes para o Programa Farmácia Essencial. Além disso, era um dos quatro laboratórios do país a produzir soro antiofídico, usado para tratar picadas de serpentes.

Apesar de ter tido um aumento de mais de dez vezes na receita na última década, que saltou de R$ 144,4 milhões, em 2010, para R$ 1,5 bilhão, em 2020, a fundação deixou de produzir a maior parte dos fármacos. Atualmente, a Funed é responsável pela fabricação e distribuição ao SUS da talidomida, utilizada para tratamento da hanseníase, e entecavir, que trata hepatite B em adultos.

Já o soro antiofídico deixou de ser produzido pela instituição em 2017, para uma reforma da Unidade de Produção de Soros. A previsão de conclusão era em 2018. Mas, ainda são necessários ajustes e qualificação no sistema AVAC (aquecimento, ventilação e ar-condicionado) para retomar a produção, prevista para ocorrer no 1º semestre de 2021.

Fonte: G1 

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