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Como a mente e o corpo reagem à gravidez psicológica

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gravidez psicológica

Segundo a Organização Mundial da Saúde, estima-se que a cada 22 mil gestações no mundo, ao menos uma não é verdadeira, sendo que aproximadamente 1% das mulheres com gravidez psicológica sentem as dores do parto após nove meses da falsa gestação.

Também conhecida como pseudociese, a gravidez psicológica é um transtorno em que a mulher tem total convicção de que está grávida, mesmo quando os exames mostram o contrário.

De acordo com Carlos Moraes, ginecologista e obstetra pela Santa Casa de são Paulo, membro da Febrasgo e especialista em Perinatologia pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein; o distúrbio emocional é classificado como transtorno somatoforme, quando os sintomas físicos não têm uma base médica contestável.

Quem pode desenvolver uma gravidez psicológica?

Segundo Danielle H. Admoni, psiquiatra geral, preceptora na residência da Unifesp e especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria, geralmente, as mulheres acometidas pela pseudociese têm histórico de transtorno psicológico ou psiquiátrico, o que compromete ainda mais a negação à realidade.

Mulheres que passaram por traumas como a perda de um filho, abusos sexuais, histórico de aborto espontâneo, pressão do parceiro ou de familiares para engravidar também podem desenvolver o transtorno, assim como as que têm dificuldade de engravidar ou são inférteis.

As reações do corpo em uma gravidez inexistente

De alguma forma, ainda inexplicada pela ciência, o cérebro reage aos estímulos provocados pelas mudanças do estado emocional, desregulando a produção hormonal. As funções endócrinas, corticais e hipotalâmicas trabalham juntas no eixo “hipotálamo-hipófise-adrenal”, resultando nos sintomas de uma gravidez real:

– Ausência de menstruação
– Náuseas e enjoos matinais
– Desejos alimentares
– Sonolência
– Crescimento e dor nos seios
– Aumento do apetite
– Produção de leite nas mamas (causado pelo aumento da prolactina, fazendo com que os seios secretem leite)
– Distensão abdominal (cerca de 60 a 90% das mulheres com pseudociese podem apresentar um aumento do volume abdominal)

Muitos destes sintomas são experimentados com tanta autenticidade que a mulher chega a sentir o crescimento da barriga, os movimentos do bebê, as dores e contrações do parto. E mesmo sem haver nascimento, ela persiste que o bebê virá em algum momento, podendo esperar por ele indefinidamente.

Como lidar com o transtorno

Moraes explica que a gravidez psicológica só pode ser diagnosticada por meio de exames como o Beta HCG, com resultado negativo, e ultrassonografia transvaginal ou pélvica, sendo que esses exames apresentarão ausência de saco gestacional, embrião/feto e placenta.

“Mesmo com os resultados negativos, muitas mulheres não ficam convencidas de que a gestação não é real. Nesses casos, cabe ao ginecologista indicar um tratamento psicológico para identificar a origem do transtorno e tratar a causa. Também pode ser preciso intervenção com medicamentos hormonais para regularizar a menstruação e encerrar a produção de leite”.

“Vale lembrar que a gravidez psicológica não é uma invenção da mulher, pois ela realmente acredita estar grávida. Muitas vezes, a pseudociese é a válvula de escape que o cérebro encontrou para lidar com as adversidades psicológicas. Portanto, julgamentos só irão agravar o transtorno. A família deve dar apoio, conforto e acompanhar o tratamento psicológico, até para entender melhor a condição e saber como lidar com o quadro”, finaliza Danielle.

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