Como realizar o descarte seguro de perfurocortantes?
Especialista afirma que tarefa une farmácias e consumidores
Com o aumento do uso de canetas aplicadoras, como as de insulina ou de GLP-1, surge uma dúvida frequente no balcão das farmácias – o que fazer com elas após o uso? A resposta faz parte da rotina do setor há anos e impõe a adoção do descarte seguro de perfurocortantes.
Para esclarecer esse tema, o especialista em logística reversa do Panorama Farmacêutico, José Agostini Roxo, sócio-diretor da BHS – Brasil Health Service, compartilhou alguns insights.
O perigo do descarte incorreto
Muitos pacientes ainda acreditam que podem descartar seringas, agulhas ou canetas injetoras nos mesmos coletores destinados a medicamentos fora de uso disponíveis nas farmácias. No entanto, o executivo destaca que esses recipientes contam com restrições rigorosas quanto ao que pode ou não ser depositado.
“Caso um cliente te pergunte se pode jogar um item perfurocortante no coletor, responda com um sonoro não. Também não é permitido receber medicamentos veterinários, amostras grátis ou resíduos de clínicas”, explica.
Resíduos classificados como Grupo E representam grave risco ocupacional para colaboradores ou transportadores, que podem se perfurar ao manusear os sacos plásticos. Se destinados ao lixo comum, o problema se agrava. “Profissionais da limpeza pública frequentemente sofrem acidentes que resultam em afastamentos de três a seis meses para a realização de tratamentos profiláticos”, alerta Roxo.
Paraná é exemplo de descarte seguro de perfurocortantes
Um exemplo positivo destacado pelo especialista é um projeto implementado no Paraná. O modelo adotou as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) como pontos de coleta, após homologação pelas prefeituras. A escolha desses espaços foi estratégica, uma vez que esses estabelecimentos já detinham a expertise necessária para descartar esses itens com segurança. Apesar da participação do SUS, Roxo afirma que os custos não recaem sobre o poder público.
“A regra de ouro da Política Nacional de Resíduos Sólidos é clara. Não se pode onerar o Estado com a logística reversa. Portanto, toda a operação é custeada por um grupo de indústrias farmacêuticas, que banca a capacitação, os insumos e a coleta por meio de empresas privadas”, reitera.
Como orientar o consumidor?
Cabe ao farmacêutico e à equipe de atendimento orientar o paciente nessa jornada. Roxo elenca algumas práticas que podem ser sugeridas para minimizar acidentes e casos de contaminação. Para o armazenamento temporário e seguro em casa, ele sugere soluções acessíveis como:
- Garrafas PET resistentes
- Embalagens de leite ou suco com fundo reforçado
- Tubos de bola de tênis
- Potes específicos
“Esse acondicionamento deve ser feito em local seguro e de difícil acesso”, completa.
Farmacêutico tem papel vital na educação
“Simplesmente negar o recebimento da seringa sem oferecer uma alternativa é indelicado e ineficiente. Por isso, oferecemos, por meio do portal da BHS Brasil, materiais educativos gratuitos voltados a profissionais de saúde, pacientes e ao público em geral. A união entre segurança, sustentabilidade e consciência é o que fará com que essa rede avance e se consolide em todo o país, com apoio estratégico das farmácias e dos farmacêuticos”, finaliza.