Consumer health já compõe 44% do faturamento das farmácias
Wellness já responde por quase um quarto das vendas do segmento e mercado vê expansão acelerada no interior do país
por Adriana Bruno em
Mesmo diante de juros elevados, inflação persistente e alto endividamento das famílias, o mercado de Consumer Healthcare (CHC) mantém trajetória de crescimento. O segmento movimentou R$ 115,2 bilhões no MAT de maio de 2026, avanço de 7,9% em relação ao período anterior, segundo dados apresentados pela Close-Up International durante o evento Getting the Strategy 2026. O Panorama Farmacêutico esteve presente e traz os principais insights da apresentação.
O desempenho reforça a importância estratégica da categoria para o varejo farmacêutico. Atualmente, o CHC responde por 44% do faturamento do canal, enquanto os medicamentos não sujeitos ao controle de preços (NMED) representam 30% das vendas.
Segundo Filipe Campos, líder de Market Insights da Close-Up International, a expansão continua sustentada principalmente por reajustes de preços e inovação. “CHC cresce por preço e lançamentos. Beleza e cabelo recuam em volume, enquanto dermocosméticos avançam impulsionados por novos produtos”, afirmou.
Entre os segmentos de maior relevância estão MIPs e Terapias, com R$ 37,8 bilhões em vendas, Cuidados Pessoais (R$ 16,7 bilhões) e Vitaminas e Suplementos (R$ 13,9 bilhões).
Evolução das vendas de CHC em bilhões de reais

Wellness ganha protagonismo (H2)
A principal transformação observada pela consultoria está no avanço do wellness. O segmento, que engloba suplementos, dermocosméticos, nutricosméticos, fitoterápicos e produtos voltados ao bem-estar, movimentou R$ 27,8 bilhões, crescimento de 9,4%.
Com isso, a categoria já responde por 24,1% das vendas de MIPs e NMED. O potencial também aparece no comportamento do consumidor: oito em cada dez compradores de CHC levam ao menos um item relacionado ao wellness na cesta. “Wellness deixou de ser uma categoria de consumo e passou a ser uma plataforma de prevenção e longevidade”, destacou Natália Soares, gerente de estratégia de negócios da Close-Up International.
Evolução das vendas do segmento wellness nas farmácias brasileiras

Dermocosméticos e suplementos lideram expansão
Os suplementos movimentaram R$ 5,9 bilhões e cresceram 12,2%, enquanto os dermocosméticos avançaram 15,1%. “Dermo puxa o crescimento em praticamente todas as subcategorias”, ressaltou Natália.
Os cuidados faciais lideram o segmento, com vendas de R$ 3,8 bilhões e crescimento de 15,8%. Em contrapartida, categorias tradicionais de beleza, como maquiagem e cuidados com unhas, registraram retração.
Participação das categorias nas vendas de Consumer Healthcare

GLP-1 e digital redefinem a estratégia do varejo
As canetas emagrecedoras seguem entre os principais motores de crescimento do setor. Segundo a Close-Up, 41% da expansão dos dermocosméticos em 2025 pode ser atribuída ao avanço dos medicamentos à base de GLP-1.
Os gastos mensais com esses tratamentos já superam R$ 1,2 bilhão, com cerca de 6 milhões de doses comercializadas por mês.
“Canetas emagrecedoras são hoje o principal driver de crescimento, impulsionando também categorias como dermocosméticos e vitaminas”, afirmou Filipe Campos.
O canal digital também ganha relevância. Em abril de 2026, movimentou R$ 9,9 bilhões, crescimento de 51,6% em relação a julho de 2024.
Durante painel do evento, Ivan Engel, diretor de serviços e insights ao varejo e distribuição da Close-Up, destacou que a transformação digital exige atenção à rentabilidade. “Grande parte das vendas online tem origem em mecanismos de busca, o que aumenta a pressão por preço e dificulta a construção de valor para marcas e varejistas”, observou.
Para Flávia Caldeira, gerente sênior da DPSP, a loja física continua fundamental na jornada de compra. “O cliente quer testar o produto, sentir o cheiro e conhecer a embalagem. Depois dessa experimentação, vemos uma migração natural para o digital pela conveniência”, afirmou.
Associativismo ganha força no interior
O estudo também aponta o interior do país como uma das principais fronteiras de expansão do wellness, movimento impulsionado pelas redes associativistas.
“Os independentes que não estiverem dentro de alguma instituição dificilmente vão conseguir surfar uma boa onda daqui para frente. Estamos falando de margens mais apertadas e de investimentos em tecnologia que são difíceis de fazer sozinho”, afirmou Pollyana Tamascia, diretora da Farmarcas.
A executiva também destacou a importância da personalização do sortimento. “Com inteligência de dados conseguimos entregar para cada associado o mix ideal de acordo com o tamanho da cidade e o perfil de público de cada loja.”
Ao encerrar o encontro, Ivan Engel reforçou que o setor vive duas transformações simultâneas. “GLP-1 e inteligência artificial devem continuar moldando a relação entre indústria, varejo e consumidor, criando novas oportunidades de crescimento para o canal farmacêutico”, concluiu.