Detalhes na embalagem ajudam a identificar medicamentos falsos
Irregularidades em rótulos e canais de venda são principais indícios de falsificação
por Gabriel Noronha em
A venda de medicamentos falsos tem preocupado especialistas no canal farma. Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), indicam que fármacos adulterados ou fora dos padrões de qualidade exigidos pela lei já foram registrados em ao menos 137 países. As informações são do portal Correio.
O cenário é ainda mais preocupante em países de baixa e média renda, onde a entidade estima que um em cada dez medicamentos em circulação apresente algum tipo de irregularidade.
Além de prejudicar o faturamento dos players do mercado e minar investimentos no setor, enfraquecendo iniciativas de P&D, o uso desses medicamentos é especialmente nocivo à população. Muitas vezes, os pacientes ingerem substâncias sem procedência, o que pode comprometer tratamentos e até agravar doenças.
“Esses produtos podem provocar reações adversas, efeitos imprevisíveis e até não ter qualquer efeito terapêutico. Em alguns casos, o paciente acredita estar tratando uma doença quando, na prática, está consumindo algo completamente diferente”, alerta Caroline Gabriel, diretora de investigação de segurança da Pfizer para a América do Sul.
Além disso, a fabricação, o armazenamento e o transporte desses produtos, muitas vezes realizados sem controle sanitário, aumentam o risco de contaminação por bactérias, fungos e outras impurezas potencialmente perigosas.
Internet impulsiona venda de medicamentos falsos
As redes sociais têm atuado como um meio de propagação dessa categoria de fármacos. Uma pesquisa recente do Estadão Verifica, repercutida pelo Panorama Farmacêutico, identificou que plataformas como Telegram, WhatsApp, Facebook e X (o antigo Twitter) acumulam mais de 82 mil usuários, divididos entre 65 grupos, focados na compra e venda ilegal de medicamentos.
Na prática, muitas comunidades oferecem produtos como um “cardápio de restaurante”. Os vendedores, que costumam utilizar nomes e fotos falsas, enviam listas com a variedade de produtos disponível e orientam os interessados a entrar em contato via chats privados para pagamento e entrega dos pedidos.
Para atrair o público, os grupos costumam promover medicamentos com alta demanda, como Ozempic e Mounjaro, chamados comumente de canetas emagrecedoras, e Ritalina e Venvanse, psicoestimulantes para tratar déficit de atenção.
Sinais que podem ajudar na identificação de medicamentos falsos
Reconhecer um medicamento falsificado nem sempre é uma tarefa simples. Justamente por isso, os criminosos investem em embalagens cada vez mais parecidas com as originais. Ainda assim, alguns sinais podem levantar suspeitas.
Entre os principais indícios de falsificação estão erros de ortografia ou gramática na embalagem, falhas na impressão, ausência de informações obrigatórias, dados inconsistentes sobre fabricação ou validade, alterações na cor, textura ou aparência do produto, preços muito abaixo dos praticados no mercado e venda por canais não autorizados.