Dor e ansiedade lideram uso de cannabis medicinal
Levantamento da Cannect revela diferenças nos padrões de prescrição conforme sexo e faixa etária
por Gabriel Noronha em
Um estudo divulgado pela Cannect sobre o mercado de cannabis medicinal avaliou os principais indicadores demográficos do setor, além das condições clínicas mais frequentemente associadas às prescrições da categoria.
De acordo com o levantamento, 65,3% dos pacientes brasileiros são mulheres. Entre as principais indicações terapêuticas estão o manejo da ansiedade (38,5%), da dor (25,4%) e da insônia (13,5%).
Entre os pacientes mais jovens, predominam prescrições relacionadas ao tratamento da ansiedade e de convulsões, enquanto queixas neurológicas e cognitivas se tornam mais frequentes nas faixas etárias mais elevadas.
Pesquisa da Cannect detalha distribuição da cannabis medicinal
Geograficamente, o acesso à cannabis medicinal ainda apresenta forte concentração regional. O estado de São Paulo lidera com 43,1% dos pacientes, seguido pelo Rio de Janeiro, com 9,9%, enquanto os estados da Região Sul também registram participação relevante no levantamento.
Os dados foram coletados durante uma “análise guarda-chuva”, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) e conduzida pela Cannect, marcando o início de um dos maiores projetos de investigação dos efeitos dos produtos à base de cannabis na América Latina.
A avaliação ocorre em parceria com o pesquisador Dr. Renato Anghinah, ligado ao Hospital das Clínicas da USP e à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, e abrange 40 subprojetos em fase de planejamento.
O estudo busca descrever os perfis clínicos e epidemiológicos dos pacientes, avaliar a efetividade de diferentes formulações à base de cannabis, monitorar eventos adversos em uso prolongado e mensurar impactos na qualidade de vida, visando subsidiar tanto a prática médica quanto a formulação de políticas públicas de saúde.