EMF e Grupo Polar reúnem 150 pessoas em Fórum Técnico Regulatório
Encontro discutiu integração entre modais, certificações, segurança e conformidade na cadeia farmacêutica
por Adriana Bruno em
A necessidade de aproximar diferentes etapas da cadeia logística farmacêutica foi o ponto de partida do Fórum Técnico Regulatório – Cadeia Logística Farmacêutica nos Multimodais, realizado pelo Grupo EMF Logística e pelo Grupo Polar em 25 de setembro na sede do Sindusfarma, em São Paulo (SP).
A primeira edição reuniu cerca de 150 profissionais e especialistas ligados à indústria farmacêutica, logística, supply chain, transporte, qualidade, regulatório, comércio exterior, operadores logísticos e aos modais rodoviário, aéreo e marítimo.
Segundo Luiz Pimenta, CEO da EMF Logística, a proposta foi criar um ambiente capaz de aproximar profissionais que normalmente acompanham apenas uma parte da operação. “Ao colocar diferentes elos e especialidades no mesmo ambiente, buscamos ampliar essa visão e discutir como garantir a integridade dos produtos farmacêuticos de ponta a ponta”, avalia.
A iniciativa também sinalizou a intenção de transformar o encontro em uma agenda permanente de discussão sobre o setor. “A primeira edição mostrou que existe espaço e demanda por esse tipo de discussão. O objetivo agora é transformar essa experiência em uma agenda contínua de conhecimento, conexão e debate sobre os caminhos da logística farmacêutica no Brasil”, projeta.
Diferentes modais, uma mesma cadeia
A programação envolveu discussões sobre o papel do farmacêutico na logística, o porto como eixo estratégico para a cadeia farmacêutica, os desafios dos aeroportos diante da RDC 938/24, a certificação IATA CEIV Pharma, os benefícios estratégicos do OEA e as particularidades do transporte aéreo nacional de medicamentos.
A diversidade de temas refletiu a própria complexidade da operação. Embora cada modal tenha características, riscos e requisitos específicos, a carga permanece dentro de uma mesma cadeia quando passa de uma etapa para outra. “Rodoviário, aéreo e marítimo possuem características, riscos e requisitos próprios, mas o produto não deixa de pertencer à mesma cadeia quando muda de modal”, explica.
Nesse contexto, as transições entre operações aparecem como pontos especialmente sensíveis. Uma carga pode deixar uma operação rodoviária, passar por um aeroporto ou porto e retornar ao transporte terrestre. A cada mudança, entram em cena novas condições de ambiente, infraestrutura, processos e responsabilidades. “É nas transições, interfaces e responsabilidades compartilhadas que surgem muitos dos desafios de qualidade, segurança, temperatura, rastreabilidade e conformidade”, observa o CEO da EMF.
Desafios compartilhados
A operação farmacêutica precisa conciliar qualidade, segurança, controle de temperatura, rastreabilidade, integridade da carga, conformidade regulatória, infraestrutura e eficiência operacional. O desafio aumenta quando diferentes empresas, processos e modais participam da mesma movimentação.
Para o executivo, esse cenário exige uma visão que ultrapasse os limites de cada operação individual. “Um processo bem executado em apenas um ponto não é suficiente. Todos os elos precisam trabalhar com o mesmo nível de responsabilidade e entendimento sobre o produto”, pontua.
Foi justamente nessa conexão que o fórum buscou concentrar parte das discussões. Em vez de propor uma solução única para problemas distintos, o encontro procurou aproximar experiências e identificar pontos críticos que atravessam diferentes etapas da cadeia.
“O evento foi determinante para criar um ambiente voltado ao compartilhamento de experiências e à busca por soluções construídas de forma colaborativa”, enfatiza.
Certificações em perspectiva
As certificações também tiveram espaço na programação. O debate abordou a importância de processos estruturados e verificáveis para uma cadeia que precisa preservar padrões de segurança, qualidade e conformidade em diferentes etapas.
A IATA CEIV Pharma foi discutida no contexto do transporte aéreo de produtos farmacêuticos, enquanto o OEA foi relacionado à segurança e à conformidade das operações de comércio exterior. “Mais do que falar sobre certificações como um selo, a discussão mostrou a importância de entender o que existe por trás delas: processos, responsabilidades, controles, pessoas e uma cultura de qualidade”, afirma.
A abordagem também permitiu discutir onde essas certificações se aplicam e de que maneira seus requisitos se relacionam com os demais elos da operação.
Conhecimento que gera conexão
Além dos conteúdos técnicos, a interação entre profissionais de diferentes áreas foi apontada como um dos resultados do encontro. A presença de representantes de diversos segmentos permitiu colocar em contato perspectivas que nem sempre são discutidas conjuntamente.
O apoio do Sindusfarma também integrou a construção do encontro, que reuniu especialistas de áreas relacionadas à indústria, transporte, logística, qualidade, regulatório e comércio exterior. “A experiência reforçou a importância de manter o diálogo entre os diferentes elos da cadeia”, conclui.