EMS expande portfólio de canetas emagrecedoras
Farmacêutica busca aprovação de “clone” do Ozivy
por Gabriel Noronha em e atualizado em
A farmacêutica brasileira EMS se prepara para ampliar sua atuação no mercado de canetas emagrecedoras com o lançamento de um novo produto, menos de um mês após iniciar as vendas do Ozivy. As informações são do NeoFeed.
A companhia aguarda que a Anvisa classifique o fármaco, primeiro produto à base de semaglutida fabricado no Brasil após o fim da patente do Ozempic, como medicamento de referência para dar entrada no registro de uma nova versão do produto.
Essa reclassificação, normalmente realizada após a aprovação de um novo medicamento, pode ocorrer ainda neste mês. A proposta de atualização da lista de medicamentos de referência integra a pauta da reunião da Diretoria Colegiada da autarquia prevista para esta quarta-feira, dia 8, e a expectativa é de que o Ozivy esteja entre os produtos analisados.
Com o parecer positivo nessa demanda, a EMS já planeja submeter a nova caneta emagrecedora à autarquia, em um processo que, diferentemente do registro de novos medicamentos, não exige testes clínicos e dura em média 90 dias.
EMS introduz nova marca ao ecossistema de canetas emagrecedoras
O novo produto, que ainda não teve nome divulgado, será comercializado sob a marca Brace Pharma, que integra o ecossistema da farmacêutica e já responde por cerca de 5% do seu faturamento.
Especializada em medicamentos de prescrição médica em cardiologia, endocrinologia, ortopedia e sistema nervoso central, a companhia registrou uma receita de R$ 500 milhões em 2025, enquanto a EMS faturou mais de R$ 10 bilhões.
“A gente entende que esse produto vai crescer exponencialmente no Brasil. Aumentando o volume, podemos atuar nessa categoria com mais de uma marca”, explica Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS.
Enquanto a expectativa para o Ozivy é alcançar faturamento de pelo menos R$ 500 milhões e vendas de 1,2 milhão de unidades nos primeiros 12 meses, a nova semaglutida tem previsão de comercializar 700 mil caixas no mesmo período, gerando receita próxima de R$ 250 milhões.
O medicamento deve chegar às gôndolas com preço semelhante ao do Ozivy, atualmente vendido por cerca de R$ 450 por caixa, podendo custar menos em planos mensais de tratamento.
Com isso, as duas marcas poderão superar, juntas, a marca de 2 milhões de unidades comercializadas e gerar faturamento próximo de R$ 800 milhões por ano. Ainda assim, o executivo considera essa projeção conservadora.
“A gente quer levar para a comunidade médica mais uma opção de tratamento. Cada empresa tem um foco, com painéis médicos [base de dados com especialistas] diferentes. Enquanto um grupo atua em uma quantidade de profissionais, a equipe da Brace Pharma vai em outro grupo. As empresas terão estratégias complementares”, explica Sanchez.
“Em grandes mercados, vale a pena fazer isso. E como o setor farmacêutico é muito pulverizado, é uma boa estratégia lançar mais uma marca de um determinado tipo de produto. Nosso objetivo é garantir mais acesso deste medicamento no Brasil”, complementa.