Exclusivo: Medley mira expansão além dos genéricos
Diretora geral Lucia Rossato detalha os planos de transformação e reforço de portfólio da farmacêutica
por Márcia Arbache em
A Medley avança na jornada de renovação do portfólio e ampliação da atuação para além dos medicamentos genéricos. Em entrevista exclusiva ao Panorama Farmacêutico, a diretora geral Lucia Rossato detalha os principais movimentos da companhia, que celebra 30 anos enquanto se prepara para um novo ciclo stand-alone.
Um dos marcos mais relevantes é a transição para uma operação independente. Anunciada no fim de 2024, o processo de transformação da Medley inaugura uma nova fase para a empresa. Paralelamente, está em curso o processo de aquisição pelo grupo EMS, ainda sob análise do Cade.
Segundo Rossato, até a decisão do órgão regulador, as empresas seguem operando de forma independente. “O momento é de pavimentar os próximos 30 anos, com foco em uma companhia mais ágil, moderna e conectada ao mercado”, enfatiza.
Mesmo em meio à transição, a Medley mantém desempenho robusto. A expectativa é de crescimento próximo a 20% em 2026, em linha com o mercado. “Os resultados do primeiro trimestre do ano foram muito bons, mas exigem um cuidado ainda maior para manter os 877 colaboradores focados na execução impecável”, afirma.
A logística, apontada como um dos grandes desafios no Brasil, segue como prioridade estratégica para garantir presença consistente nas mais de 90 mil farmácias do país
Renovação do portfólio e lançamentos
A competitividade no segmento de genéricos impõe constante renovação. A Medley trabalha com um portfólio de mais de 100 moléculas e mantém uma média de 20% de incremento anual com novos produtos. Entre as novidades previstas estão a expansão das linhas de antibióticos.
Lucia explica que será uma média de cinco a seis lançamentos por ano, contemplando outras classes terapêuticas, como cardiovascular, analgesia, doenças crônicas e agudas.
Em paralelo, o catálogo de OTCs, visto como estratégico, será ainda mais diversificado para reforçar a visibilidade da marca. “São itens que ficam expostos no salão dos PDVs, o que nos permite trabalhar com mais dinamismo”, pontua.
Capilaridade no varejo
A presença no ponto de venda segue como pilar central. A companhia aposta em três frentes – distribuição numérica ampliada, visibilidade da marca nas farmácias e execução regionalizada, adaptada às particularidades locais. “Há muitas peculiaridades em cada região. São comportamentos diferentes não só entre farmácias de rede, independentes e associativistas, mas também dos consumidores. Temos que nos aproximar dessas capilaridades regionais”, avalia.
A empresa também vem intensificando ações de trade marketing. “Esse time é a artéria que conecta a empresa ao cliente para a execução dos JBPs’’, prossegue.
Expansão além dos genéricos
Embora os genéricos permaneçam no centro do negócio, a Medley amplia seu horizonte com a estratégia “além dos genéricos”. A iniciativa busca diversificar receitas e fortalecer a presença em segmentos mais complexos do mercado farmacêutico. Entre os novos focos estão canais institucionais (hospitais e planos de saúde), especialidades (oncologia e imunologia) e similares de marca.
A empresa também espera reforçar programas de treinamento para farmacêuticos e médicos. As ações incluem treinamentos em pontos de venda, parcerias institucionais e participação em eventos do setor, a exemplo dos organizados pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF). “O papel das farmácias como centros de serviços amplia as oportunidades de conexão com o consumidor e reforça a importância dessas iniciativas”, relata.
Saúde mental e inovação digital
Entre as iniciativas de impacto social, destaca-se a assistente virtual Cássia, criada pela Medley para apoiar a conscientização sobre saúde mental. A ferramenta pode ser acessada pelo site da Medley, por meio do ícone Chame a Cássia, que direciona o usuário para interações via WhatsApp. A solução funciona como um ponto de contato educativo, oferecendo conteúdos sobre saúde mental, orientações de autocuidado e direcionamentos para busca de apoio profissional,quando necessário.
“Somos a terceira empresa de genéricos no Brasil, a marca mais admirada por brasileiros, com vários prêmios e figurando entre as 50 companhias mais valiosas do país, de acordo com o InfoMoney. Porém, sempre precisamos estar atentos para oferecer um nível de serviço cada vez mais elevado às farmácias, horizontalizar a distribuição do portfólio e viabilizar lançamentos mais frequentes”, enumera Lucia Rossato.
Rossato cita ainda o orgulho do legado e a capacidade de transformação da empresa, criada pela família Negrão que a administrou durante os primeiros 15 anos. Nos 15 anos seguintes, passou a ser gerida pela Sanofi. “Essa mistura resultou em uma empresa muito profissional e conectada com consumidores e o varejo farmacêutico”, conclui.