Farmácias superam R$ 260 bilhões de vendas em 12 meses
Expansão das redes, abertura de novos pontos e avanço da operação digital marcam o desempenho do canal
por Adriana Bruno em
O varejo farmacêutico brasileiro movimentou R$ 262,7 bilhões no acumulado dos 12 meses encerrados em julho de 2026, segundo dados da Close-Up CDD Assortment. O resultado representa crescimento de 13,1% em relação ao mesmo período anterior. Na comparação com 2022, o mercado avançou a uma taxa composta de 11,6% ao ano.
A evolução mantém uma trajetória de expansão do canal. O mercado passou de R$ 169,1 bilhões no MAT de julho de 2022 para R$ 185,2 bilhões em 2023, R$ 208,7 bilhões em 2024, R$ 232,3 bilhões em 2025 e chegou aos atuais R$ 262,7 bilhões. As taxas anuais registradas foram de 9,5%, 12,7%, 11,3% e 13,1%, respectivamente.
Em entrevista exclusiva ao Panorama Farmacêutico, Olegário Araújo, especialista em varejo e pesquisador do FGVcev, comenta que apesar do crescimento, é vital entender de onde vem este resultado em relação a categorias e canais de vendas. “O sortimento é vivo e precisa ser periodicamente revisitado. É vital olhar o que precisa ser incluído ou tirado do sortimento para estar em linha com as necessidades do consumidor e se manter relevante e também rentável. Isso inclui marcas, apresentações, espaço na loja, orientação para equipe, investimento em estoque, entre outros”, avalia.
Redes ampliam participação
Entre os diferentes grupos que compõem o canal, as redes associadas à Abrafarma apresentaram crescimento de 18% no MAT, enquanto as demais redes avançaram 14%. As federações registraram alta de 2,9%, e as farmácias independentes, de 6,3%. Já os especialistas digitais tiveram retração de 17,3% no período.
No recorte de lojas com vendas no MAT, o levantamento contabilizou 100.090 estabelecimentos. Desse total, 12.323 pertenciam à Abrafarma, 6.282 às demais redes, 27.629 às federações e 53.856 eram independentes. A base considera estabelecimentos com vendas no período analisado.
A expansão também aparece na abertura de novos pontos. No MAT, foram contabilizadas 7.848 lojas abertas, sendo 691 em cidades com mais de 1 milhão de habitantes, 449 em municípios de até 1 milhão, 1.589 em localidades de até 500 mil, 5.119 em cidades de até 300 mil habitantes e 7.848 no total geral, conforme a segmentação apresentada no estudo.
“Embora o canal cresça dois dígitos, os independentes estão perdendo relevância. Há várias causas, mas estes proprietários precisam repensar a forma de gerir o negócio e avaliar, urgentemente, a participação em redes associativistas. Os benefícios são inúmeros. Basta ver o crescimento”, pontua Araújo.

Fonte: Close-UP International
Crescimento por subcanal no MAT 07/26
O desempenho também varia de acordo com o tempo de operação das lojas. No cenário MAT, a venda média mensal foi de R$ 622 mil nas unidades do primeiro ano, R$ 695 mil no segundo, R$ 960 mil no terceiro e R$ 879 mil nas lojas maduras.
O sortimento acompanha essa evolução. A quantidade de produtos distintos vendidos no período de 12 meses passou de 11.299 no primeiro ano para 11.260 no segundo, 11.541 no terceiro e 11.313 nas lojas maduras, considerando o conjunto dos canais apresentados no estudo.
Medicamentos e GLP-1
Na composição por tipo de produto, os medicamentos prescritos (MPX) representaram 20,4% do mercado no MAT de julho de 2026, enquanto os medicamentos isentos de prescrição (MIPS) responderam por 12,8% e os não medicamentos (NMED), por 20,4%, conforme a segmentação apresentada no levantamento.
Dentro da composição do crescimento, o grupo de GLP-1 aparece com destaque, registrando crescimento de 94,5% no MAT. O levantamento também mostra avanço de 10% para MIPS, 43,6% para MPX e 12,8% para NMED no recorte apresentado. “A expansão dos GLP-1 redefine a dinâmica do mercado de MPX. Mounjaro já lidera o ranking em valor, enquanto o lançamento Ozivy da EMS amplia a competição em semaglutida e ganha rapidamente relevância no canal”, comenta Filipe Campos, líder de Market Insights da consultoria.
Digital ganha espaço
O canal digital segue ampliando sua presença nas vendas. No período destacado pelo estudo, as vendas digitais passaram de R$ 3,7 bilhões em outubro de 2024 para R$ 8,3 bilhões em julho de 2026, uma evolução de 48,2% no período apresentado. A penetração entre os informantes de digital também avançou de 16% para 27,5%.
Considerando o mercado total, as vendas digitais alcançaram R$ 10,7 bilhões em abril de 2026 e R$ 9,9 bilhões em julho, enquanto a participação no mercado total chegou a 15,5% em abril e 15,1% em julho.
A participação dos medicamentos nas vendas digitais foi de 16,4%, enquanto os não medicamentos representaram 11,3%. Entre as categorias de não medicamentos, dermocosméticos registraram penetração de 20,2%, bebê e criança, 15,4%, e vitaminas e suplementos, 10,7%.
Os dados até julho de 2026 mostram, portanto, a evolução do canal em diferentes frentes: crescimento do mercado, expansão das redes, abertura de lojas, amadurecimento dos pontos de venda, avanço de categorias e maior presença do digital.