Gastos com HPC superam R$ 100 mensais para 61% dos brasileiros
Farmácias concentram 37% das menções entre os canais de compra
por Gabriel Noronha em
Um levantamento divulgado pela Valometry revelou que mais da metade dos consumidores brasileiros (61%) acumula gastos com HPC que ultrapassam a marca de R$ 100 mensais.
Os dados fazem parte do estudo Branding Brasil Segmentos: Beleza e Cuidados Pessoais, realizado pela empresa em parceria com a Brazil Panels com base em 1.113 entrevistas feitas em agosto de 2026.
Entre os consumidores brasileiros, 43% gastam de R$ 101 a R$ 350 por mês com HPC, enquanto 18% desembolsam R$ 351 ou mais. Outros 39% mantêm as despesas em até R$ 100. Na classe D/E, 54% dos entrevistados estão nas duas faixas de maior gasto, segundo o levantamento.
Na classe C, a faixa de R$ 101 a R$ 350 concentra a maior parcela dos consumidores, com 47%. Nas classes A/B, a distribuição é mais equilibrada — 35% gastam até R$ 100 por mês, 33% desembolsam de R$ 101 a R$ 350 e 32% gastam R$ 351 ou mais.
Distribuição dos gastos com HPC

Distribuição dos gastos com HPC por classe

O levantamento também mostra que 88% dos brasileiros valorizam marcas nacionais e 83% consideram os produtos locais tão bons quanto os melhores do mundo.
Apesar da confiança nos produtos nacionais, os importados ainda são associados a preço e prestígio, considerando que 66% dos entrevistados afirmam que vale a pena pagar mais por eles, e 64% acreditam que esses itens conferem mais status.
No entanto, os produtos nacionais são preferidos nas categorias de cuidados com o corpo, com 67%, cabelo, com 65%, e rosto, com 53%, segundo o levantamento.
Já nas categorias associadas ao desejo, como a maquiagem, a soma dos que preferem importados, 23%, com os que julgam ambos equivalentes, 30%, atinge 53%, superando a parcela de 43% que demonstra preferência exclusiva por marcas brasileiras.
“A competência local não está mais em julgamento, pois o consumidor a reconhece. O que sobrevive é o prêmio simbólico do importado, o status que esse rótulo ainda carrega”, afirma Aluysio Athayde, head de insights e estratégia do Valometry.
Levantamento analisa principais canais de venda de HPC
As lojas físicas lideram os canais de compra de HPC, com 58% da preferência dos consumidores. A possibilidade de experimentar os produtos presencialmente é um dos fatores associados a essa escolha, colocando-a na frente dos canais digitais e dos revendedores, que agregam 27% e 14%, respectivamente.
Principais canais de venda de HPC

As farmácias e drogarias são o segundo tipo de estabelecimento mais citado para compras de HPC, com 37% das menções. Ficam atrás das lojas especializadas em cosméticos, com 42%, e à frente dos supermercados, com 33%, e dos catálogos, com 31%.
Em julho, o Panorama Farmacêutico revelou dados de uma pesquisa da Close-Up International apontando que o varejo farmacêutico está assumindo um papel crescente como canal de conveniência para o shopper de produtos de cuidados pessoais.
“Nos últimos 12 meses encerrados em maio, a categoria representou 6,5% dos valores movimentados e 11% do volume de unidades comercializadas. Considerando somente não medicamentos, a representatividade vai para 21,6% em valores e 28,3% em unidades”, destaca Fernanda Rebelo, analista sênior de market insights da consultoria.
Estabelecimentos mais procurados no mercado de HPC

Transparência e praticidade ganham destaque nos carrinhos
O comportamento do consumidor também revela ceticismo, com 68% dos brasileiros desconfiando das informações sobre ingredientes nos rótulos. Por motivos de saúde, 74% já deixaram de usar cosméticos, evitando principalmente compostos químicos não especificados (24%), alumínio em desodorantes (17%) e substâncias com potencial efeito hormonal (17%).
Além disso, 72% consideram a rotina de beleza complicada demais, e 79% priorizam marcas que oferecem simplicidade e eficácia comprovada. Na decisão de compra, o produto é o fator mais citado, com 33%, seguido por preço (22%), recomendação (20%), ESG (16%) e marca (10%).
Por fim, os criadores de conteúdo lideram a descoberta de novos itens, sendo citados por 32% dos entrevistados. Na confiança, porém, destacam-se os dermatologistas, com 24%, e os familiares, com 19%.
“A marca não opera sozinha. Seu valor pode estar justamente na capacidade de contaminar os demais critérios, como fazer o produto parecer melhor, sustentar um preço, dar segurança à recomendação e reduzir o risco de escolha”, adiciona o executivo.
Entre os entrevistados com mais de 60 anos, 54% acreditam que marcas criadas por influenciadores podem ter a mesma qualidade das tradicionais. O levantamento também mostra que 23% dos brasileiros já utilizam assistentes de inteligência artificial para pesquisar ou escolher cosméticos.