Canetas emagrecedoras podem estar a caminho do SUS
Governo prepara protocolo para definir pacientes com obesidade que terão acesso aos medicamentos
por Adriana Bruno em e atualizado em
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, na quinta-feira (17/9), que canetas emagrecedoras serão oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a pacientes com obesidade que tenham indicação médica para o tratamento. A declaração foi feita durante visita ao novo Complexo Industrial da Eurofarma, em Montes Claros (MG), ao lado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A informação é do Metrópoles.
A oferta deverá seguir um protocolo médico para definir os pacientes que terão acesso aos medicamentos. O Ministério da Saúde já testa um modelo com cerca de 250 pessoas com obesidade grave ou associada a outras doenças e indicação para cirurgia bariátrica, no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre.
“Essa canetinha vai ser utilizada para cuidar de graça das pessoas que tenham obesidade, quando o médico detectar que um homem ou uma mulher tem problema de saúde”, afirmou Lula durante a visita.
O presidente também defendeu que o tratamento seja acompanhado por profissionais de saúde e criticou a distribuição indiscriminada dos medicamentos.
“Daqui a pouco vai ter gente distribuindo canetinha para tudo, vai ter deputado jogando caneta para o povo. E a caneta não é assim. Isso é irresponsabilidade, porque a pessoa tem que saber se pode ou não tomar, se vai fazer bem para a saúde ou não”, disse.
Governo vai definir critérios de acesso
Segundo, Alexandre Padilha, o governo trabalha na definição dos critérios para estabelecer quais pacientes terão acesso ao tratamento. A proposta é priorizar pessoas com obesidade grave, doenças associadas ou indicação para cirurgia bariátrica.
“Queremos a medicação no SUS. Como direito”, afirmou o ministro.
De acordo com Padilha, o protocolo em teste no Grupo Hospitalar Conceição servirá de referência para a ampliação da oferta dos medicamentos em todo o país.
Novos medicamentos ampliam oferta
A estratégia começou a ser preparada em 2025, com medidas do Ministério da Saúde e da Anvisa voltadas à ampliação da concorrência e ao estímulo à produção nacional. Segundo o governo, a entrada de novos produtos contribuiu para reduzir os preços em cerca de 70%.
Medicamentos que ultrapassavam R$ 1 mil passaram a ser encontrados na faixa de R$ 300 a R$ 400.
Em 2026, novos medicamentos à base de semaglutida e liraglutida receberam registro da Anvisa, ampliando a oferta no mercado brasileiro.