Bayer espera aprovação de medicamento para menopausa
Companhia avalia estratégias para ampliar acesso a tratamentos
por Gabriel Noronha em
A Bayer aguarda a análise da Anvisa sobre o Lynkuet, medicamento não hormonal para o tratamento de sintomas da menopausa, e prevê uma possível aprovação entre o fim de 2026 e o início de 2027. As informações são da Folha de S. Paulo.
Segundo Adib Jacob, presidente da divisão farmacêutica da companhia para o Brasil e a América Latina, o Lynkuet, já aprovado pelo FDA nos Estados Unidos e submetido à análise da Anvisa, tem como alvo sintomas como ondas de calor, distúrbios do sono e alterações de humor, conforme já repercutido pelo Panorama Farmacêutico.
A proposta é atender mulheres que não podem ou não desejam utilizar a terapia hormonal, atualmente empregada no controle de sintomas da menopausa.
Ainda de acordo com o executivo, o preço do produto deverá levar em conta as condições do mercado brasileiro, onde cerca de 80% das mulheres na menopausa apresentam sintomas em algum grau.
Bayer amplia portfólio no país
O Lynkuet chega a um mercado que já conta com outra opção não hormonal aprovada pela Anvisa. Em junho, a agência autorizou o Veoza, da Astellas, para o tratamento de ondas de calor associados à menopausa.
A ampliação do acesso a medicamentos de maior custo também integra a estratégia da companhia. Jacob defende modelos que distribuam o risco financeiro entre indústria e pagadores, como contratos vinculados à eficácia do tratamento, coparticipação e parcelamento.
“Uma coisa chama-se custo do produto, a outra é custo do tratamento. É mais fácil avaliar o custo do produto. A caixinha custa R$ 100, mas o outro produto custava, vamos dizer, R$ 80. Mas qual é o custo do tratamento? Meu produto propicia que a pessoa volte a uma vida ativa mais rápido? Permite que não haja efeitos colaterais que [façam com que] o paciente precise de outros medicamentos? Permite que haja menos hospitalização, algo que é caríssimo?”, afirma.
De acordo com o executivo, a Bayer mantém mais de 35 projetos em desenvolvimento, incluindo pesquisas em Parkinson e terapias para recuperação do músculo cardíaco.
Jacob aponta ainda a inteligência artificial como uma ferramenta para reduzir o tempo e os custos da pesquisa clínica e do desenvolvimento de novos medicamentos.
Segundo ele, atualmente o desenvolvimento de um novo produto supera US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 7,5 bilhões)e pode levar aproximadamente uma década até chegar ao paciente.