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Hidroxicloroquina está em falta na rede estadual para tratamentos reumáticos

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Usada para amenizar os efeitos de doenças reumáticas, como o lúpus, a hidroxicloroquina está em falta nas unidades da rede estadual de saúde em Minas Gerais pelo menos desde o início do ano. O medicamento, que chegou a ser recomendado em uma página do Ministério da Saúde para tratar a Covid-19, também ajuda a controlar a artrite reumática. Só na capital mineira, cerca de 1.100 estão cadastradas para receber o insumo de forma gratuita.

Veja também: Medicamentos para pacientes com transtornos mentais estão em falta

Para o reumatologista e presidente da Comissão Científica de Lúpus da Sociedade Brasileira de Reumatologia, Edgard Reis, a interrupção do tratamento diante dos estoques insuficientes do remédio é preocupante. “No lúpus, a hidroxicloroquina traz muitos benefícios, como diminuir a chance da doença entrar em atividade, fenômenos de trombose, além de melhorar a glicemia e o colesterol. E também tem um efeito de sobrevida do paciente”, explicou.

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E a situação pode ainda provocar sequelas graves, dependendo do tempo em que a medicação deixou de ser aplicada – o lúpus é uma doença inflamatória causada quando o sistema imunológico ataca seus próprios tecidos. “É uma medicação usada há mais de 50 anos. Vemos um desvio de função da medicação e aqueles pacientes que realmente vão ter um benefício acabam ficando sem isso”, disse referindo-se à utilização da hidroxicloroquina no tratamento precoce contra a Covid-19.

Já a presidente da Sociedade Mineira de Reumatologia, Mariana Peixoto, lembra que a hidroxicloroquina não é um imunossupressor potente, mas atua como um medicamento âncora no tratamento dos pacientes. “O grande problema é que muitas vezes quando o paciente está em bom controle, você suspende um remédio e a doença entra em atividade. Depois, pode ser necessário utilizar um medicamento até mais potente”, enfatizou.

‘Sem sentido’

A especialista pontuou ainda que a hidroxicloroquina é produzida no Brasil e, na rede estadual de saúde, só é fornecida aos pacientes cadastrados que são portadores de doenças reumatológicas. “Na rede privada, realmente houve uma escassez do produto, principalmente no início da pandemia, por conta de uma compra exagerada da população no início da pandemia para previnir e fazer o tratamento precoce da Covid-19. Mas na rede pública isso não faz muito sentido, já que a distribuição é centralizada”, declarou.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) declarou que o fornecedor fez a entrega da hidroxicloroquina nesta semana e a expectativa é que o insumo seja enviado para as unidades regionais de saúde até o dia 25 de maio. Segundo a pasta, além da lúpus e artrite reumatoide, o medicamento é utilizado para dermatomiosite e polimiosite, doenças inflamatórias que afetam o músculo.

Já sobre a cloroquina, a secretaria afirmou que não há falta do item, que é fornecido para tratamento de malária e também artrite reumatoide – derivados da mesma classe de fármacos, apesar de diferentes, a hidroxicloroquina é menos tóxica.

Não recomendado para a Covid-19

Conforme o reumatologista Edgard Reis, no início da pandemia, testes iniciais feitos em laboratório apontaram uma redução da replicação viral da Covid-19 com o uso da hidroxicloroquina. Porém, quando os estudos foram realizados em pacientes contaminados, não foram identificados efeitos do medicamento. “Já foram realizados testes em todas as fases da doença, tanto a pré-clínica quanto durante a infecção, que demonstraram que o produto não previne e nem altera quadros desde os mais leves até os mais graves”, enfatizou.

Mesmo assim, houve uma corrida de diversas pessoas em busca do medicamento para previnir a Covid-19 e só no ano passado uma pesquisa do Conselho Federal de Farmácia mostrou que o crescimento das vendas chegou a 67%. “Os efeitos colaterais no paciente com a Covid-19 provavelmente são muito diferentes dos eventos adversos que verificamos nas pessoas com doenças reumáticas. A dose que usamos é calculada pelo peso. A pessoa com o vírus muitas vezes precisa usar outras medicações que atuam sobre a inflamação, além de anestésicos, que interagem com a cloroquina e favorecem o perfil de mais eventos adversos”, concluiu.

Fonte: O Tempo online

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