IA no varejo pode gerar mais de R$ 5 trilhões em vendas globais até 2030
Relatório mostra que 68% dos consumidores já usaram IA em alguma etapa da jornada de compra
por Gabriel Noronha em
Uma projeção apresentada pelo International Council of Shopping Centers (ICSC), em parceira com a McKinsey, revelou que a influência da IA no varejo vai transformar a jornada de compra nos próximos anos.
De acordo com uma estimativa presente no estudo, os agentes de inteligência artificial podem movimentar R$ 5,03 trilhões no comércio global até 2030. O levantamento ainda considera que 68% dos consumidores utilizaram pelo menos uma ferramenta de IA nos três meses anteriores à pesquisa em alguma etapa da jornada de compra, enquanto outros 62% empregaram essas ferramentas para comparar marcas, modelos, preços ou avaliações de produtos.
Mesmo nesse cenário de destaque da tecnologia, as lojas físicas mantêm sua relevância. O relatório aponta que 40% dos integrantes das gerações Z e Millennials ainda preferem a possibilidade de interação social oferecida pelos PDVs presenciais.
Essa realidade contrasta com o cenário de alguns anos atrás, quando se discutia o “apocalipse do varejo” com a derrocada das lojas físicas em um mundo cada vez mais digitalizado.
Popularização da IA no varejo altera foco dos PDVs
Embora não tenham perdido tanto espaço quanto um dia foi projetado, o papel das lojas físicas no dia a dia da operação passou por grandes transformações, assumindo novas dimensões estratégicas.
A primeira delas, de acordo com artigo publicado por Eduardo Terra, co-founder da btrvarese, é a elevação da experiência do cliente. Na visão do executivo, as lojas físicas são “o único ponto de contato onde os fatores sensoriais são mais importantes que a racionalidade. Por isso, têm um potencial infinitamente maior de encantamento do consumidor”, explica.
A elevação da experiência passa por uma curadoria rigorosa e pela oferta de serviços que agreguem valor imediato, transformando a visita em um evento relevante para o estilo de vida de cada cliente.
As outras dimensões envolvem a otimização da omnicanalidade, a transformação das lojas em pontos de serviços e logística, a automatização de processos operacionais e o posicionamento do PDV como um hub de conteúdo e mídia por meio de iniciativas de retail media.
“Na Era da IA, o papel da loja física mudou completamente e se tornou muito mais complexo e fascinante”, afirma Terra.
Digitalização do varejo brasileiro supera média global
No Brasil, o movimento de transformação já vem acontecendo. O país está à frente da curva global porque sua base de consumidores se digitalizou de forma acelerada nos últimos anos. Dados da Pnad Contínua do IBGE mostram que a internet está presente em 93,6% dos domicílios do país, enquanto o mercado brasileiro abriga 258 milhões de celulares, valor que representa aproximadamente 1,22 aparelho por habitante.
Ao contrário do que acontece em mercados como os Estados Unidos, onde em 2025 foram fechados 15 mil pontos de venda, segundo projeções da Coresight Research, no Brasil o momento é de expansão das lojas físicas. Dados do ranking TOP 300, do IRTT, mostram que em 2024 as 300 maiores varejistas do país tiveram um crescimento de 4,3% no total de lojas.