Mercado Livre avalia criação de farmácia própria no Chile
Plano depende de mudanças na regulação chilena, que ainda não permite farmácias exclusivamente digitais
por Gabriel Noronha em e atualizado em
O Mercado Livre apresentou às autoridades do Chile uma proposta para operar como farmácia, em um movimento que marca a expansão de suas operações próprias no varejo farmacêutico. As informações são do UOL.
A iniciativa amplia a presença da companhia no país, onde atualmente atua apenas como marketplace para venda de medicamentos por terceiros, modelo também adotado na Argentina e México.
O plano, no entanto, depende de mudanças na regulação local. De acordo com registros de reuniões realizadas ao longo dos últimos meses, a empresa discutiu a implementação de um modelo de farmácia própria e totalmente online. Ao todo, foram pelo menos seis encontros no último ano para tratar da proposta.
Após analisar o projeto, o Ministério da Saúde do Chile recomendou que a empresa busque avaliação técnica junto ao Instituto de Saúde Pública (ISP), já que a proposta exigiria alterações ou reinterpretações das normas vigentes. Hoje, a legislação chilena não permite a operação de farmácias exclusivamente digitais.
O ISP, por sua vez, informou que o Mercado Livre ainda não possui autorização para operar como varejista farmacêutica e não confirmou se houve solicitação formal de avaliação técnica.
Em comunicado, a empresa afirmou que trabalha para expandir gradualmente sua atuação em saúde, sempre em conformidade com a regulação de cada mercado, mas não detalhou os planos específicos para o Chile.
Mercado Livre se arrisca em novos segmentos
A movimentação faz parte de uma estratégia mais ampla de longo prazo, na qual o Mercado Livre vem ampliando investimentos em operações próprias de varejo, incluindo categorias como beleza e eletrodomésticos.
Esse avanço, no entanto, tem impacto financeiro. As ações da companhia acumulam queda de quase 11% no ano, sendo negociadas a cerca de US$ 1.799 (R$ 9.160) por papel.
Operação farma caminha lentamente no Brasil
No Brasil, principal mercado da empresa, o Mercado Livre deu os primeiros passos para operar diretamente no setor farmacêutico no ano passado, ao adquirir uma farmácia física, requisito exigido pela legislação local para comercialização de medicamentos.
A companhia também iniciou, em março, um projeto-piloto em São Paulo com venda de medicamentos sem prescrição e promessa de entrega em até três horas.
A proposta para o Chile inclui um modelo semelhante, com entregas em “poucas horas em algumas regiões”, segundo registros das reuniões.
Embora o país não esteja entre os principais mercados da empresa, uma eventual aprovação do modelo pode transformar o Chile em um campo de testes para expansão da operação farmacêutica em outros países da América Latina.