Mercado Livre derruba ações das maiores redes de farmácias do país
Pague Menos recua 8%, RD Saúde cai 5,38% e Panvel perde 4,90% após anúncio de venda de medicamentos com receita
por Adriana Bruno em
As ações das principais varejistas farmacêuticas listadas na B3 despencaram nesta quinta-feira (24), após o Mercado Livre anunciar a entrada na venda de medicamentos com receita. A Pague Menos registrou a maior queda, de 8%, enquanto RD Saúde recuou 5,38% e Panvel perdeu 4,90%. As informações são do InfoMoney.
Os papéis da Pague Menos (PGMN3) chegaram a cair mais de 10% após o anúncio e encerraram o pregão a R$ 3,45. A RD Saúde (RADL3) fechou a R$ 18,45, com baixa de 5,38%, enquanto a Panvel (PNVL3) terminou o dia em R$ 12,43, queda de 4,90%.
A reação ocorreu depois que o Mercado Livre detalhou a expansão de sua operação para medicamentos que exigem prescrição médica. Além da venda de medicamentos com receita, a companhia associa a operação à conveniência da entrega rápida.
Para as varejistas, a mudança acrescenta um novo competidor à disputa pela compra digital de medicamentos, em um ambiente no qual disponibilidade de produtos, prazo de entrega e conveniência fazem parte da experiência de compra.
Conforme noticiado pelo Panorama Farmacêutico, a Abrafarma vê o avanço dos marketplaces no setor com cautela e ressalta que a legislação recentemente alterada não deve ser interpretada como uma autorização genérica para que plataformas digitais comercializem medicamentos. “A Lei nº 15.357/2026 passou a admitir que farmácias e drogarias licenciadas utilizem canais digitais e plataformas de comércio eletrônico para a dispensação remota, mas condiciona essa possibilidade ao cumprimento da regulamentação sanitária aplicável”, alerta Sergio Mena Barreto, CEO da entidade.
Mercado Livre entra em nova frente
O novo marketplace de farmácias começa a operar nesta sexta-feira (25). Segundo a companhia, três farmácias parceiras deverão estar cadastradas na plataforma até outubro. Os nomes não foram divulgados.
A meta é chegar a 20 redes farmacêuticas até o fim do ano. A estratégia amplia a atuação do Mercado Livre no setor, que até então estava concentrada em medicamentos isentos de prescrição médica.
“A demanda por medicamentos já existe dentro da plataforma, mas parte dela não podia ser atendida devido às restrições regulatórias. Entre os produtos com maior procura estão medicamentos ligados à saúde sexual, além de tratamentos para dependência de nicotina, categorias em que muitos consumidores preferem a privacidade das compras online”, afirmou Fernando Yunes, vice-presidente sênior e líder do Mercado Livre no Brasil.
A nova operação contempla categorias como antibióticos e medicamentos à base de GLP-1, utilizados no tratamento de diabetes e obesidade.
Entrega em até 60 minutos
Além da ampliação do portfólio, o Mercado Livre pretende combinar a venda de medicamentos com sua estrutura logística. A operação passará a atender toda a região metropolitana de São Paulo e será integrada ao sistema de entregas em até 60 minutos anunciado pela companhia.
Até o fim do ano, a empresa prevê contar com 20 farmácias de redes terceiras distribuídas em São Paulo para viabilizar a modalidade de entrega rápida.
A combinação entre marketplace, farmácias parceiras e logística coloca a companhia em uma nova frente da jornada digital de compra de medicamentos, aproximando a experiência de aquisição de remédios daquela já utilizada pelo consumidor em outras categorias do comércio eletrônico.