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MPF apura uso de vacinas de adultos em crianças na Paraíba

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O MPF (Ministério Público Federal) abriu uma apuração sobre a aplicação de doses de adultos da vacina da Pfizer em crianças e adolescentes em Lucena (PB), na região metropolitana de João Pessoa. A técnica responsável pela aplicação, uma agente de saúde e uma moradora já foram ouvidas no caso.

Veja também: Saúde antecipa entrega de terceiro lote de vacinas pediátricas

O Poder360 teve acesso ao depoimento da técnica de enfermagem, que falou no domingo (16.jan.2022). Aos procuradores, ela disse que não recebeu treinamento sobre a vacinação de crianças contra covid-19 e que ‘ninguém lhe repassou nenhuma informação sobre diferença de volumes’.

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‘Que se queixou a Karina, do setor de imunização da Secretaria de Saúde de Lucena, que estava sozinha na vacinação, sem coordenadora, enfermeira, médica ou dentista, acompanhada somente de uma ACS (agente comunitária de saúde) e do motorista, e a ordem que lhe foi dada foi de que poderia vacinar todos os que estivessem para se vacinar, pois a validade das vacinas da Pfizer estava para vencer’, afirma trecho do depoimento.

Uma das recomendações da Anvisa sobre a vacinação infantil é o treinamento completo para a aplicação da vacinação pediátrica, incluindo a diferença do volume da dose.

A vacina aplicada em crianças difere da de adultos. A dosagem do produto é menor. Cada dose pediátrica terá 10 microgramas, enquanto a adulta tem 30 microgramas. A tampa da vacina infantil é laranja. Já na versão para adolescente (a partir de 12 anos) e adultos a tampa é roxa. A diferença nas embalagens é para evitar trocas no momento de aplicação.

No depoimento, a técnica relata que trabalha na unidade básica de saúde de Lucena desde novembro de 2021. Segundo ela, a comunicação com a Secretaria de Saúde ‘era muito difícil’ e que a pasta a havia informado que as doses estariam para vencer. A técnica disse que não sabia que o lote já poderia estar fora da validade.

A aplicação irregular das vacinas teria ocorrido no dia 7 de janeiro. Segundo a técnica, somente na unidade em que ela atua foram vacinadas 37 crianças, incluindo a sua própria filha, de 5 anos.

Na ocasião, o Brasil ainda não possuía doses pediátricas da Pfizer. O 1º lote chegou somente na 5ª feira (13.jan).

Queiroga visita cidade

O ministro da Saúde Marcelo Queiroga esteve em Lucena nesta 2ª feira (17.jan) e afirmou que a vacinação irregular é um ‘erro vacinal’ e que a pasta irá acompanhar o caso. O ministro disse que um procedimento administrativo foi instaurado para apurar a aplicação das doses erradas.

O Ministério Público da Paraíba também está atuando na investigação ao lado do MPF. Uma reunião está marcada para às 8h30 desta 3ª feira (18.jan) na sede da Secretaria Municipal de Lucena para ‘verificar alguns pontos que foram citados’ nos depoimentos.

Em nota, o MPF afirmou que ainda é prematuro qualquer conclusão sobre a responsabilização no episódio. ‘As pessoas estão sendo ouvidas e a responsabilização que o MPF está apurando não é apenas no âmbito individual da pessoa que aplicou as vacinas, mas também do agente público, do município’, afirmou a Procuradoria.

O Ministério Público afirmou que o caos se trata de um fato isolado e que não deve atrapalhar a vacinação pediátrica no município.

Fonte: Poder 360

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