Nova caneta emagrecedora da Lilly faz pacientes perderem até 31,9 kg
Terapia experimental combina três alvos hormonais para potencializar emagrecimento
por Gabriel Noronha em
A farmacêutica Eli Lilly divulgou dados de um estudo internacional sobre a retatrutida, sua nova caneta emagrecedora em fase experimental. As informações são do g1.
O estudo TRIUMPH-1 avaliou mais de 2,3 mil adultos com obesidade ou sobrepeso associado a pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso, como hipertensão ou alterações metabólicas, mas sem diabetes.
De acordo com a companhia, pacientes submetidos ao tratamento com o novo fármaco perderam, em média, até 31,9 kg após 80 semanas de acompanhamento. Entre o grupo que recebeu a dose mais alta, de 12 mg, a redução média de peso corporal foi de 28,3%.
Além disso, quase metade deles perdeu ao menos 30% do peso inicial, um patamar frequentemente associado aos resultados obtidos com cirurgia bariátrica.
Ao final do tratamento, cerca de 65% dos participantes que receberam a dose mais alta deixaram de atender ao critério diagnóstico de obesidade, passando a apresentar um índice de massa corporal (IMC) abaixo de 30.
Uma extensão do estudo, realizada apenas com pacientes com obesidade grave, que apresentam um IMC superior a 35, constatou perda média de 38,5 kg após 104 semanas.
Entenda o funcionamento da nova caneta emagrecedora da Lilly
O fármaco testado pela farmacêutica americana atua simultaneamente em três hormônios diferentes. Classificado como um agonista triplo dos receptores de GIP, GLP-1 e glucagon, o medicamento age sobre as substâncias envolvidas no controle do apetite, da saciedade, do metabolismo energético e da glicose, respectivamente.
Pesquisadores apostam na hipótese de que essa ação tripla possa ampliar a perda de peso e superar as versões atualmente disponíveis no mercado, que atuam principalmente em um ou dois desses mecanismos.
Assim como em outros medicamentos da categoria, os efeitos colaterais mais comuns encontrados foram gastrointestinais, com relatos de náusea, diarreia, constipação e vômitos.
Em geral, as taxas de abandono do tratamento por efeitos adversos variaram conforme a dose: 4,1% no grupo de 4 mg, 6,9% no de 9 mg e 11,3% no de 12 mg, enquanto no placebo, a taxa foi de 4,9%.
Também foram detectados casos leves e moderados de alterações sensoriais, como disestesia, além de aumento na incidência de infecções urinárias.
Próximos passos da retatrutida
A molécula seguirá em avaliação pela Eli Lilly, que anunciou que os resultados de um novo estudo do programa TRIUMPH devem ser divulgados ainda em 2026. As próximas etapas incluirão pacientes com diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, ampliando o perfil dos grupos analisados.