Nova IA da Amazon pode acelerar a descoberta de medicamentos
Plataforma possibilita a análise de grandes volumes de dados
por Gabriel Noronha em
A Amazon Bio Discovery, nova IA da Amazon focada no canal farma, foi criada para permitir que cientistas e pesquisadores avaliem moléculas candidatas a fármacos. As informações são da Época Negócios.
O produto busca acelerar a fase inicial do desenvolvimento de medicamentos, mas se diferencia por não exigir que seus usuários tenham conhecimento prévio de código ou programação.
O sistema oferece acesso a uma biblioteca de modelos de fundação biológica, algoritmos treinados em grandes volumes de dados biológicos, capazes de gerar e avaliar moléculas com potencial terapêutico.
Um agente de IA ainda integra o processo, orientando os pesquisadores na seleção dos modelos mais adequados, na configuração de parâmetros e na interpretação dos resultados.
IA da Amazon pode poupar anos de pesquisa
De acordo com Rajiv Chopra, vice-presidente de IA em saúde e ciências da vida da Amazon Web Services (AWS), “levaria 18 meses para chegar a 300 candidatos potenciais. Agora, os cientistas conseguem criar 300 candidatos em poucas semanas”.
Um dos cases apresentados pela empresa foi uma parceria com o Memorial Sloan Kettering Cancer Center, referência mundial em oncologia. No projeto, a AWS utilizou sua plataforma para criar aproximadamente 300 mil moléculas, selecionando as 100 mil mais promissoras e enviando-as à empresa Twist Bioscience para testes laboratoriais.
“Levamos 20 anos apenas para provar que a primeira geração de anticorpos funcionava, e outros 13 para adaptá-la à forma humana antes de obter a aprovação da FDA; Pacientes chegam aqui com um relógio. Precisamos de resultados mais rápidos”, explica Nai-Kong Cheung, pesquisador sênior de oncologia pediátrica do Memorial.
Uso de IAs cresce na indústria farmacêutica
O avanço da IA generativa nos últimos anos gerou uma proliferação de modelos de aprendizado de máquina para a área farmacêutica, que vão desde a previsão da estrutura de proteínas até a avaliação de candidatos com base em propriedades químicas.
Recentemente, o Panorama Farmacêutico noticiou uma parceria entre a Novo Nordisk, dona do Ozempic, e a OpenAI, criadora do ChatGPT, para a criação de uma plataforma similar.
Anteriormente, a Eli Lilly também firmou uma parceria com a Nvidia para o desenvolvimento de um “supercomputador” que combina alto poder de processamento com modelos de inteligência artificial para “expandir drasticamente o escopo de sofisticação” na descoberta de novos fármacos.