Novartis supera estimativas no 2º trimestre
Apesar do resultado, farmacêutica prega cautela diante do “abismo de patentes”
por César Ferro em
A Novartis apresentou resultados acima das estimativas no segundo trimestre, com crescimento de vendas e lucro superiores ao consenso do mercado. Apesar do desempenho positivo, a farmacêutica suíça manteve uma postura cautelosa para o restante do ano, diante do avanço da concorrência de genéricos e de fatores pontuais que beneficiaram o balanço no período. As informações são do Dow Jones.
Resultados da Novaris superam projeções e aliviam pressão recente
As vendas líquidas somaram US$ 14,41 bilhões (cerca de R$ 73,4 bilhões) nos três meses avaliados, superando a expectativa de US$ 13,96 bilhões (R$ 71,1 bilhões). O lucro operacional “core” atingiu US$ 5,94 bilhões (R$ 30,2 bilhões), acima do consenso de US$ 5,31 bilhões (R$ 27 bilhões). Já o lucro por ação “core” chegou a US$ 2,41 (R$ 12,29).
O desempenho reforça a resiliência do laboratório em um momento de transição, marcado pela perda de exclusividade de medicamentos relevantes nos Estados Unidos.
Expiração de patentes acelera pressão de genéricos
A companhia enfrenta o que classifica como o maior “abismo de patentes” de sua história recente. Medicamentos estratégicos do portfólio, como Entresto (combinação de sacubitril e valsartana para insuficiência cardíaca), Promacta (eltrombopag, estimulador de plaquetas) e Tasigna (nilotinibe, utilizado no tratamento de leucemia), passaram a enfrentar forte concorrência de genéricos. A erosão de receita nesses produtos ocorreu de forma mais intensa e rápida do que o antecipado.
Para compensar a pressão, a Novartis tem avançado na comercialização de novos produtos. Entre os destaques positivos no trimestre estão:
- Cosentyx (secuquinumabe), anti-inflamatório com desempenho acima das expectativas
- Kesimpta (ofatumumabe), tratamento para esclerose múltipla
- Scemblix (cloridrato de asciminibe), terapia para leucemia
Por outro lado, medicamentos oncológicos como Kisqali (succinato de ribociclibe), indicado para câncer de mama, e Pluvicto (vipivotida tetraxetana), para câncer de próstata, ficaram ligeiramente abaixo das projeções, embora continuem relevantes para o equilíbrio do portfólio.
Guidance conservador levanta debate no mercado
Mesmo com resultados acima do esperado, a farmacêutica manteve a projeção de queda em um dígito baixo no lucro operacional “core” em 2026, ao mesmo tempo em que prevê crescimento de vendas na mesma magnitude.
A decisão gerou interpretações divergentes entre analistas. Parte do mercado considera a manutenção da meta conservadora diante do desempenho recente, enquanto outra leitura aponta para um segundo semestre mais desafiador.
Analistas do banco Jefferies destacam que parte relevante do resultado positivo no trimestre está associada a fatores não recorrentes. Entre eles, estão efeitos de calendário que impulsionaram temporariamente as vendas de medicamentos já estabelecidos e benefícios momentâneos relacionados ao cronograma de despesas de aquisições recentes.
Diante do cenário, o laboratório intensifica sua estratégia de fusões e aquisições como forma de recompor o pipeline e mitigar os efeitos da perda de patentes. A companhia também aguarda resultados de estudos clínicos relevantes, que podem reforçar as perspectivas de crescimento nos próximos anos.