Durante o WNTC 2026, especialistas chegaram a um consenso: a RDC 1.015/2026 tem potencial para reformular o mercado de cannabis medicinal no Brasil. As informações são do Jota.
Segundo eles, o marco regulatório impacta diretamente o setor produtivo, ao trazer previsibilidade para a categoria, além de ampliar as possibilidades terapêuticas e promover a padronização dos produtos. Nesse novo cenário, as pesquisas com derivados da erva tendem a ser fortemente beneficiadas.
“A existência de critérios homogêneos para produção e controle de qualidade permite que diferentes estudos utilizem produtos com características comparáveis, aumentando a confiabilidade dos resultados clínicos e facilitando a geração de evidências sobre eficácia e segurança”, comenta Tatiana Ribeiro, gerente de assuntos regulatórios e relações governamentais do Grupo Centroflora.
Marco regulatório aproxima cannabis medicinal do mercado
Para a executiva, o novo marco regulatório é o primeiro passo de um processo que aproxima a cannabis medicinal da realidade dos demais medicamentos. Ao combinar exigências de qualidade com a ampliação das possibilidades terapêuticas e o estímulo à produção de evidências científicas, o mercado tende a se desenvolver de forma segura e estável.
O analista em ciência e tecnologia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Thiago Moraes, afirma que essa estabilidade aumenta a atratividade de capital privado. “Com a remoção do risco regulatório, as empresas ganham a previsibilidade necessária para alocar orçamentos robustos no desenvolvimento de novas moléculas e na estruturação de testes clínicos em solo nacional”, argumenta.
Ele destaca ainda que a regulamentação do cultivo controlado para fins de pesquisa e desenvolvimento por universidades e instituições científicas e tecnológicas (ICTs) é outro fator decisivo para a otimização de recursos. “A possibilidade de produzir a matéria-prima localmente reduz drasticamente os custos operacionais, permitindo que o dinheiro seja direcionado para o que realmente importa”, afirma.
Pesquisas clínicas são vitais para a categoria
A Anvisa reconhece que, em um cenário mais favorável à pesquisa clínica, será possível medir com maior precisão a segurança e a eficácia dessas terapias. Para Ana Claudia Oliveira, coordenadora da área de propriedade intelectual e biológica da ABIFINA, algumas especialidades tendem a ser mais beneficiadas. “A expectativa é que o desenvolvimento de estudos em áreas como neurologia, epilepsia, dor crônica, cuidados paliativos, entre outras”, declara.
